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Psicodelia, volta às raízes e brega: confira os lançamentos da última quinzena

Atualizado: Set 25



Preparo - Hugo Coutinho (single)


O multiartista pernambucano Hugo Coutinho faz a sua estreia solo com o single “Preparo”, que fala sobre se lançar no mundo e criar conexões, temática apropriadíssima para o debut do artista. “Tomar decisões impossíveis / e saber rumar sua vida / preparar-se para a partida”. Além disso, a canção também se relaciona ao nascimento do filho de Coutinho, como no trecho: “Fazer o batismo do filho / nomear sem ver sua face”.


Em sua, é uma faixa sensível e rica, que não esconde os anos de experiência do músico, integrante e compositor nos trabalhos de Una e da banda Sabiá Sensível; já tendo tocado com diversos nomes da cena como: Graxa, Juvenil Silva, D Mingus e Isaar.


A faixa conta com voz, guitarra, baixo, violão, synths e piano de Hugo, que também cuidou da mixagem. Gilvandro Barros tocou bateria e a masterização ficou a cargo de Adriano Leão (Casa do Kaos).

Confira:


Voar pt 1 - naondi (single e clipe)

Mergulhando em questões existenciais, o músico Breno Rocha lança seu projeto solo intitulado “naondi”, com o primeiro single “voar pt 1”. A canção é a primeira de uma série de lançamentos, que devem culminar em um álbum até o final deste ano.

Em um mix de maracatu, rock psicodélico, hip hop e art pop, a faixa constrói criando uma atmosfera dançante que traz participações de Jáder nos vocais, Arquétipo Rafa na bateria, e Ciano (Quinteto Violado), nas flautas.

Na camada visual da canção, representada pelo videoclipe, é perceptível o olhar interior do artista, que se encontra em constante análise de si mesmo, entre momentos de angústia e descobertas. Confira:


O Sertão Virou Mundo - Ícaro Água (EP)


Após a primeira parte do Projeto Água, Ícaro lança agora a segunda parte do projeto, o EP “O Sertão Virou Mundo”, com quatro canções inéditas que versam sobre resistência, direitos e diversidade do povo sertanejo, desmistificando os estereótipos que habitam o imaginário do Sertão, como no ensaio fotográfico “Não parece, mas é caatinga”, usado como meio de divulgação do trabalho.


“Terão que fazer mais de mil filmes

pra dizer da sua sorte

de ser antes de tudo forte

que é mais que vencer

viva sem medo e viva a vida meu bem viva sem medo.”

Trecho da terceira canção, “Respeito”, cuja frase inicial “O Sertão Virou Mundo” deu nome ao álbum. A atmosfera dançante e eletrônica da faixa, com tons carnavalescos que se assemelham à Banda Eddie, é um dos destaques positivos do álbum, que parece mostrar referências diferentes para cada canção.


Confira:


Spray de Pimenta - Barbarize (single)


A dupla de artistas da comunidade do Bode, Barbarize, lançou o single “Spray de Pimenta”. A canção é uma denúncia à ação truculenta da polícia deste país. Com uma sonoridade que mistura o trap e o funk, "Spray de Pimenta" nos convida a dançar, mas sem deixar esquecer os estigmas que tentam parar os nossos corpos que são naturalmente dançantes e revolucionários.


Mais uma produção que mostra que Barbarize foi uma das grandes revelações da música pernambucana em 2021 e nos deixa animados para ouvir o que ainda está por vir.


Confira "Spray de Pimenta":


Dois Lados - Luiz Lins, Bella Kahun (clipe)


Pode abrir a latinha de 51 e se preparar para sofrer por amor, mesmo que você não tenha motivos para isso. A canção “Dois Lados”, fruto da parceria entre Luiz Lins e Bella Kahun, é um brega gostoso demais e combina perfeitamente com o fim de semana.


A voz grave de Luiz Lins e o agudo doce e ao mesmo tempo marcante de Bella Kahun casaram perfeitamente na canção que relata as diferentes percepções de um casal que se separou. O clipe, gravado no Teatro Santa Isabel, traz cenas que reforçam ainda mais a narrativa central da canção e remetem aos dois lados de uma mesma história, onde os personagens principais são interpretados pelos próprios cantores.


Tanto a produção musical quanto a audiovisual são muito bem executadas pela produtora PE Squad.


Assista ao clipe de “Dois Lados”:


Bloco de Notas - Bell Puã (Prod. Magno Brito) (clipe)


E ela veio mostrar mais uma vez que veio pra dominar a cena da música pernambucana. Bell Puã lançou o single e clipe “Bloco de Notas”, um trap com uma levada mais calma e suave, e mostrou que dá pra ser contestadora falando sobre o amor e sonhos.


Na canção, Bell expõe seus anseios como compositora e artista. “Punch nos racistas, lines sobre o amor”, diz um trecho do refrão de “Bloco de Notas”. Já no clipe, vemos a poeta e cantora abrindo seu coração e se colocando como protagonista de sua própria história, compositora de seu destino.


Confira “Bloco de Notas”:

Art Cistem and Rich Kidz Make Me Puke - Soul (single)


Art Cistem and Rich Kidz Make Me Puke, da cantora, compositora e artista visual SOUL, é uma potente mistura de referências sonoras atrelada a críticas explícitas ao "cistema" da arte - neologismo que relaciona o universo artístico a uma série de distinções de gênero. Ao apresentar o trabalho, a artista reforça a crítica central da música e afirma que "os corpos ‘subalternizados’, desprovidos de privilégios e oportunidades" são marginalizados em um sistema "sistema artístico, branco, colonial e burguês".


O som é permeado de influências jazzísticas e elementos sonoros que criam uma atmosfera densa; no entanto, a combinação desses elementos proporciona uma imersão agradável. Art Cistem and Rich Kidz Make Me Puke é uma obra forte, que evidencia o potencial artístico de SOUL. Ouça:


Açude Negro - Clayton Barros e Chico César (single)


Um banho de "água quente", mansa e serena. A nova produção do instrumentista e integrante da banda Cordel do Fogo Encantado, Clayton Barros, é uma obra aos ouvidos que subverte o real e o imaginário universo caótico que atualmente vivemos. "Açude Negro", canção lançada nesta sexta-feira (24), foi desenvolvida em parceria com Chico César, que, inclusive acrescentou sua versão na letra e alterou o título da música.


"Ele me devolveu uma música linda com uma reformulação incrível, incluindo um novo título”, comentou Barros. A canção é um mergulho mais que agradável ao universo sertanejo, à infância a adolescência nas "águas escuras e misteriosas do desconhecido a nos revelar e desafiar através do outro e das paixões e pulsões que nos provocam”, como o próprio artista descreve.


O violão é marca central das produções do instrumentista. Desta vez, porém, viu-se a necessidade da implementação de um arranjo de cordas, e com a forte sonoridade da tríplice formada por viola, violino e violoncelo "Açude Negro" nasceu e está disponível nas principais plataformas digitais.


A produção foi assinada por Rodrigo Coelho, enquanto a mixagem ficou a cargo de Léo D e a masterização foi realizada em Miami (USA) por Felipe Tichauer. Já a bela arte da capa é uma ilustração de Elvira Paes.


Quero Que o Mundo se Importe - Diablo Angel (single)


Buscando novas experiências sonoras, a banda pernambucana Diablo Angel lançou o marca-passo do seu processo de reformulação. "Quero Que o Mundo se Importe" exprime o desejo por mais empatia e menos egoísmo entre as pessoas. A canção traz elementos eletrônicos dentro de uma sonoridade contemporânea, que casa bem com o momento de pandemia e crise institucional e humanitária em vários países emergentes da América Latina.


"Depois de dois álbuns lançados, chegou a hora de experimentar ainda mais e trazer novos sons e experiências para a Diablo Angel", diz a vocalista e guitarrista, Kira Aderne. Além da cantora, o grupo conta com Nivea Maria nos teclados e synths, Tárcio Luna na guitarra e Vitor Lima na bateria.


A canção tem produção de Pedro Diniz, baixista e produtor da Mundo Livre S/A, e trabalhos técnicos de Mathias Canuto do Estúdio Pólvora.



Maya - Tagore (álbum/clipe)


Em “Maya”, Tagore abraça uma sonoridade mais ampla e direta sem perder seus vínculos psicodélicos. A faixa que dá nome ao novo disco do músico pernambucano ganha clipe inédito. O disco, lançado no último dia 17, marca uma fase menos psicodélica e mais melódica que seus dois discos anteriores, "Movido a Vapor" (2014) e "Pineal" (2016).

“É um disco sobre a saudade, sobre a falta que uma pessoa pode fazer”, me explica o cantor e compositor pernambucano, remontando ao início do disco, composto num jorro criativo ainda em 2018. “A saudade é um sentimento potente”, continua o músico, que se inspirou no título em sânscrito do livro de 1999 de mesmo nome do autor norueguês Jostein Gaarder para batizar sua nova viagem. Ele fala sobre o conceito milenar indiano de Maya, que diz que habitamos um mundo de ilusões e precisamos nos concentrar em nós mesmos para ultrapassarmos esta camada de aparências.


Confira o disco:

IROKO - K'boko (EP visual)


K’boko aka Biano iniciou sua carreira musical ao lado de grupos como Afoxé Oxum Pandá e Nação Maracatu Leão Coroado. Hoje, morando 15 anos em Berlim, o músico lança seu EP visual em uma mistura que resgata sons afrodiásporicos com uma desconstrução a partir da música eletrônica. No EP Iroko, o K’boko pensa um futuro distópico em que os recursos naturais se esgotaram, em um filme com imagens instigantes e inspiradas na estética afrofuturista.


Confira o EP:



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