• Revista Gruvi

Para dançar conforme a música apesar da tristeza; confira os primeiros lançamentos de maio


Capa do single Baquaqua, do pianista pernambucano Amaro Freitas. Arte: Robézio e Tereza de Quinta

Amaro Freitas - Baquaqua (Single)


No último dia 30 de abril o pianista Amaro Freitas deu asas a Baquaqua, primeira faixa do seu novo álbum, Sankofa. O trabalho, com previsão de lançamento para junho deste ano, revisita a ancestralidade da África Ocidental com o intuito de "trazer a memória de quem somos e homenagear bairros, nomes, personagens, lugares, palavras e símbolos que vêm de nossos antepassados", como diz o próprio Freitas.


A faixa elucida a história de Mahommah Gardo Baquaqua, que foi trazido para o Brasil como escravo, mas fugiu para Nova York em 1847, onde aprendeu a ler e a escrever. A história é lembrada entre os tons ora apressados ora sutis do piano e da bateria.


Sankofa é o terceiro álbum do pernambucano. A palavra é um símbolo Adinkra, conjunto de símbolos ideográficos dos povos acã, da África Ocidental, que representa um pássaro com a cabeça voltada para trás. O trabalho tem patrocínio da Natura Musical.




A medida da Distância - Kalouv (EP)


Depois de uma imersão mais profícua em sonoridade eletrônica e do lançamento da primeira canção com letra do grupo, a banda recifense Kalouv retorna ao cerne de sua origem instrumental sem abandonar os ganhos dos últimos trabalhos. Em A medida da Distância, a banda formada por Basílio Queiroz (baixo), Bruno Saraiva (teclado), Matheus Araújo (guitarra), Rennar Pires (bateria) e Túlio Albuquerque (guitarra), segue seu projeto musical num mix de post-rock, trip-hop e game music.


"A Medida da Distância fala sobre esta nova realidade, onde somos conectados por uma espécie de fio virtual. Tivemos que pensar em novos métodos para compor e todas as faixas se referem a isso, construindo uma narrativa sonora sobre um caminho para seguir no meio deste turbilhão", conceituou o guitarrista Tulio Albuquerque. O EP conta com cinco faixas e quem assina a produção do EP é a própria banda.


Numa realidade cheia de telas e distâncias, Kalouv aplica lições, relembra trajetória e traça um presente brilhante como um dos projetos de música instrumental mais singulares do país.


Ouça o EP:


Como? - Zé Manoel (single)


No piano e na voz de Zé Manoel, a canção “Como?” composição de Luiz Vagner que ficou famosa na voz do pernambucano Paulo Diniz ganhou uma releitura emocionante. Lançado no dia 10 de maio, o lyric video da canção traz imagens do mar em movimento constante e nos garante uma sensação de calmaria divina.


Essa é daquelas que você precisa sentir, não dá para colocar em palavras a experiência da escuta, é preciso acessar. Coloque o fone no ouvido e assista o vídeo:



Jugular - Guma (Clipe)

Pode ir separando a cadeirinha de praia que saiu o novo clipe da Guma. Irreverente, dançante, e cheio de referências, o videoclipe do single Jugular apresenta uma coreografia envolvente feita por Dante Olivier e Victor Lopes, intercalada com imagens boêmias e descontraídas dos integrantes Katarina Nápoles (voz), Carlos Filizola (guitarra) e Caio Wallerstein (bateria).

Com roteiro e direção de Felipe André Silva, o resultado final entregou com excelência a “história de não amor” proposta, narrativa evidente até nos passos dos dançarinos. Além disso, o clipe contou até com o retorno da icônica cadeirinha plástica de praia, uma das protagonistas do clipe da canção Destilado, que acabou se tornando um elemento com a cara da banda recifense.

O videoclipe é mais um fruto da Aldir Blanc. Confira:




O Quarto Mágico de Nolasco - Antonio Nolasco (EP)


O Quarto Mágico de Nolasco é um projeto musical idealizado pelo recifense Antonio Nolasco, uma espaço de experimentações técnicas e sentimentais. Com quatro canções gravadas no quarto do próprio artista no ano de 2020, o EP que leva o nome do projeto é a estreia do músico e um fruto desse laboratório de ideias que surgiu para expressar toda a incerteza e sensibilidade que gravitam a pandemia da Covid-19 e as vivências de Nolasco.


Todos os instrumentos do trabalho (bateria, baixo, violão, teclado, guitarra) e a voz foram gravadas pelo próprio músico. Além disso, também foi utilizado no processo um postastudio (gravador de fita cassete), para imprimir um efeito de som característico das produções caseiras de músicos independentes do século passado. O EP também foi lançado no formato de fita cassete. Apesar disso, a finalização do trabalho foi toda digital, Carranca Sistema de Som, que também viabilizou o lançamento através do selo deles, Alvorada.



Águas de Renovação - Lucas dos Prazeres (Espetáculo)


Mais um fruto da Lei de Incentivo à Cultura Aldir Blanc, o espetáculo Águas da Revolução, do artista pernambucano Lucas dos Prazeres foi lançado no dia 11 de maio e está disponível no YouTube.


Unindo música e ativismo, o multiartista promove um importante debate sobre a luta antirracista no Brasil. O espetáculo foi gravado no histórico centro de formação de arte negra Daruê Malungo e conta com as participações do Mestre Meia Noite e Orun Santana.


A apresentação intimista nos transporta para uma atmosfera de força ancestral fruto da homenagem que Lucas faz à sua avó Maria da Conceição Nascimento Gomes dos Prazeres, matriarca do Quilombo dos Prazeres.


Lucas conhece bem a importância da arte e da cultura para a formação do povo negro e defende bem o seu legado através das suas composições e performance presentes no espetáculo. Uma obra que vale a pena conhecer nestes tempos difíceis para encontrar beleza na vida e força para continuar a caminhada.




Quilombo urbano - Abulidu (clipe)


A banda Abulidu lançou o single e clipe “Quilombo Urbano”. Com muita dança, ritmo e cor, o clipe traz uma composição sonora com vários ritmos da música afro-brasileira e um visual que traz beleza e movimento.


Formada pelo cantor e compositor Hélio, percussões de Thúlio Xambá, do grupo Bongar, e Arnaldo Monte, do Coco de Zeca do Rolete, violão de Paulo Alves, músico de Siba Carvalho e integrante da banda 4éPAR, guitarra de Rogério A. Martins e baixo de Raphael César. A diversidade presente nos talentos e vivências dos integrantes resulta em um som que mistura muitos estilos musicais, entre eles, rap, afrobeat, hip hop, maracatu e embolada.


Com o objetivo de quebrar os preconceitos que recaem sobre os sons que vêm das margens e disseminar a cultura e arte negra, o grupo pernambucano vem para revolucionar a cena da música afro-brasileira e reivindicar uma regionalidade do gênero musical.


Curta o trabalho da Abulidu:


Isadora Melo - Todo Ar (EP)


Em uma série de cinco vídeos musicais, Todo Ar é o desaguar do projeto musical da cantora e compositora Isadora Melo. Gravado na beira do rio Capibaribe, os vídeos com direção fotografia e edição de Ana Olivia Godoy, contam com bandolim e violão 7 cordas de Rafael Marques.


As canções, em sua maioria MPB entre sambas e choros, foram todas as canções que nasceram entre março de 2020 e março de 2021, durante o momento de pandemia. Todo Ar é composto por canções solares, com uma cor e brilho que falta a esses tempos.


Confira o EP Todo Ar:


Ontem é muito longe daqui - José Juve (álbum)


Com vozes que misturam questões subjetivas a críticas sociais de problemas ainda presentes no Nordeste e no Brasil, a banda José Juva lançou Ontem é muito longe daqui. O disco é encorpado por nove faixas apresentadas por Juva (poemas e voz), Juliano Muta (baixo e voz), Camilo José (Guitarra), Rimas Inc (beats) e & D Mingus (sintetizadores).


O disco é composto pelas faixas Sítio ensolarado, Apenas Vasta Memória, O oceano continua barulhento, Os pés descalços indo bem longe, As ruminações de uma vaca sideral, Todos temos fantasmas suficientes, Embalado pela chuvas que só começam, Caranguejo feito de estrelas e lixo, e Êxtase ininterrupto. As canções trazem experiências sonoras e poéticas declamadas, que contam com variantes de aceleração e calmaria dentro de cada narrativa construída.


A edição, masterização e mixagem são assinadas por & D Mingus. Já o trabalho de arte gráfica leva o nome de Priscila Lins. O disco foi produzido por meio da lei de fomento e incentivo à cultura, Aldir Blanc.






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