• Revista Gruvi

Os últimos lançamentos de 2020 e primeiros de 2021

Atualizado: Jan 20



Cotidiano - Aff

Cotidiano é o single de estreia da Aff, banda formada durante a quarentena por Adner Matheus (voz), Gabriel da Silva (guitarra), Lucas Emanuel (guitarra e voz), Isabelle Ribeiro (baixo) e Matheus Pinto (bateria) - integrante de Recife, Jaboatão dos Guararapes e Aracaju. Integrando o selo recifense Life’s Too Short, o grupo transita por uma sonoridade noventista, com referências do post-hardcore, emo e math rock, o que conferiu ao trabalho um sólido tom nostálgico.

A nostalgia, inclusive, também é protagonista do videoclipe lançado no final de dezembro. Com imagens épicas do futebol brasileiro e mundial, a montagem final tem um potencial enorme de emocionar até mesmo quem não é fã do esporte. O vídeo parece trabalhar as diversas camadas dos sentimentos humanos através do enquadramento dos jogadores em campo e dos torcedores nos estádios, ambientes tão particulares onde o chorar de todos é socialmente aceito, seja ele de angústia, de alegria ou de raiva. A origem do choro é infinita e o sentir está por toda a parte, parece dizer em tom saudoso o clipe.



Arrumação - Revoredo e Bruno Lins


Arrancar de tempos incertos o respiro por dias reconfortantes passou a fazer parte da narrativa sonora do garanhuense Revoredo durante a pandemia da Covid-19. A afirmativa se materializa na trilogia finalizada pelo artista em dezembro de 2020, com a faixa "Arrumação", que trata da necessidade de reorganização imposta à sociedade, coletivamente, e aos indivíduos no cerne do ser. "É tempo de arrumar/toda bagunça que há", diz um trecho da canção.


O single sucede "De Repente", parceria com Sam Silva e Juliano Holanda, e "Quase Tudo", que também traz Holanda na produção. Em Arrumação, Revoredo divide o vocal com Nathalia Bellar, ainda com a participação de Bruno Lins, e novamente conta com parceria de Juliano Holanda. O tom poético da música não foge ao coro da realidade dos dias enfrentados no período de isolamento social, e nos transporta a sensações assíncronas, como ler um livro um dia esquecido na estante de casa, até o desejo incessante, nesses tempos, de abraçar um amigo depois de meses distante. "Quando raiar o sol e a luz renovar os ares/pronto de novo estarei pra navegar novos mares/e, enfim, te abraçarei quando enfim tu me abraçares".



Recados, de Thera Blue e Gabi da Pele Preta

Em uma saudação à negritude, ancestralidade e a Exú, Thera Blue e Gabi da Pele Preta lançam o single Recados, composto por Thera e Isaac Maia em passagem pelo Recife. Assim como Gabi, as raízes de Thera Blue são de Caruaru, mas o cantor é radicado em São Paulo, onde vive há 35 anos. O retorno às origens é um ponto forte do trabalho, que evoca a valorização do povo negro e o imaginário de orixás.

No videoclipe, idealizado por Giulia Del Bel e Luciana Barreto, a relação com Exú é manifestada pela dança de dois artistas negros nordestinos que dançam na chuva, em pleno centro de São Paulo. A dança é um ponto forte do trabalho, que vai passeando também por outros pontos da capital paulista, como o Parque Ibirapuera.

Confira:



Ainda estou vivo - Kasmürro


Enérgico e potente, o EP Ainda Estou Vivo, da Kasmürro, é um pé na porta como cartão de visitas. A banda estreia fazendo um rock presença, sem cair na armadilha de reproduzir um som datado ou clichê, tendências às quais outros grupos que se aventuram no gênero estão propensos. As temáticas abordadas nas letras vão desde problemas sociais e políticos, como em Democracia da Bala, à coisas do cotidiano, vide Um Calor do Cão.


A Kasmürro é formada por Romero Baltar , guitarras e vocais; Rogério Martins, no Baixo, e Marlon Vasconcelos na bateria. Destaque também pra capa, feita pelo ilustrador Adilson Lima. Olho nos caras.



Beija-Flor - Weré Lima


Ao som do esperar pelo tão paradoxal novo amanhã, Weré Lima lançou Beija-Flor, single acompanhado de clipe que abre as porteiras para o lançamento do álbum de mesmo nome. Natural de Surubim, no Agreste de Pernambuco, o artista planeja divulgar as faixas do disco gradualmente, sendo Beija-Flor o primeiro passo para o voo solo do integrante da banda recifense Mamulengos. Produzida em seu home estúdio, em São Lourenço da Mata, a canção aterrissa como um canto de liberdade às relações amorosas, simbolizada nos traços livres do pássaro. Característica que se estende às demais canções do álbum que está por vir, segundo o artista.


"As composições de Beija-Flor são presságios que traduzem a minha identidade. O lançamento desse projeto significa o início de um ciclo, mas ao mesmo tempo o fechamento de outros''. A passagem desse tempo pode ser lida dentro de uma repaginação engatada por Weré, na mística entre o que antes já foi experimentado e o novo. As canções, acompanhadas por violão, guitarra e cavaquinho, por exemplo, trazem o tão buscado apego pelo autocuidado, que também pode ser refletido no amor livre da primeira faixa do disco.


Natural de Surubim, no Agreste de Pernambuco, Weré impõe referências sonoras que vão desde Luiz Gonzaga à Nação Zumbi nas oito faixas que compõem o repertório musical do trabalho, como ele mesmo adianta. “Na sonoridade do álbum busquei resgatar a raiz pernambucana com um toque de modernidade, trazendo elementos do coco, do baião (de Luiz Gonzaga) e da MPB tradicional. Há também um ar psicodélico, com texturas e sonoridades diferentes da música eletrônica”.


O clipe de Beija-Flor contou com participação inteiramente pernambucana, com trabalhos conduzidos pelo artista visual Matheus Xavier, Lucas Ferraz na mixagem e também responsável pela direção musical junto com Weré. Além da colaboração da estilista visual Fedra Fernandes e do masterizador Pedro Macedo.



Barulho, de Midian Nascimento


O álbum Barulho, de Midian Nascimento, apresenta uma confluência de ritmos que resulta num trabalho interessante. Trata-se do álbum de estreia da cantora, que, ao longo de oito canções e pouco mais de vinte minutos duração, nos mostra uma voz potente e versátil; forte e enérgica na faixa de abertura, O Barulho Sutil do Sereno, mas também terna e calma na bela Choro de Sertânia.


Vale conferir o disco, que está disponível nas principais plataformas de streaming.



Tropikal, de Matheus de Bezerra (Álbum)


O álbum Tropikal, de Matheus de Bezerra, é uma experiência sonora e poética difícil de ser explicada, é preciso ter contato e ficar imerso nas nove faixas que compõem o disco. Com influências sonoras de psicodelia, MPB, um nostálgico som dos anos 80, Tropikal nos envolve com letras marcantes - que falam sobre o amor, a humanidade, Deus e o homem-, e ecos que reforçam um vazio intenso e pessoal.


O disco foi lançado no dia 1 de janeiro e está disponível em todas as plataformas digitais. Vale a pena mergulhar nesta obra:


Reconstruir, de Luana Tavares (Clipe)

Lançado no dia 30 de dezembro de 2020, Reconstruir é cheio de leveza, amor e afeto. O clipe ambientado na praia traz duas mulheres negras no vídeo ao som da canção que fala sobre autoconhecimento, esperança e renovação.


A voz da cantora Luana Tavares, com uma suavidade prazerosa dá o tom certo para a obra audiovisual. A obra está disponível no canal do YouTube da artista:


Minha vida sem mim - Madimboo (single)

Depois de lançar seu disco de estreia, que teve ótima repercussão, Madimboo fechou o ano de 2020 com o single Minha vida sem mim. A banda é formada por Artur Dantas (voz e controlador), Felipe Rodrigues (guitarra) e Thiago Duarte (bateria), membros da banda de Johnny Hooker.


Embalados por uma vibe tropical e latina com verniz lo-fi e intimista, a banda aponta para novos caminhos na sua nova produção, que parecem seguir os desdobramentos do Flertar é humano (2019).



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Idealizada em 2020, a Gruvi é uma revista eletrônica sobre música pernambucana. Entrevistas, reportagens, resenhas e ensaios de produções relacionadas a PE.