• Revista Gruvi

O ano sem carnaval, esperança, hit e autobiografia: confira os lançamentos dos últimos quinze dias




Artista - Helton & Vertin (álbum)


Embalados pelo coro artístico ecoado nos sertões brasileiros, principalmente no pernambucano, os irmãos Helton & Vertin lançaram "Artista", álbum autoral emplacado sob a mistura sonora do rock alternativo, balada, frevo, ijexá medieval, além do axé, toré e música clássica. Esse dinamismo é resultado de pontos divergentes experienciados pela dupla ao longo da vida, como a calmaria voraz e intensa do interior e o caos, por vezes assombrado, da Região Metropolitana da capital.

"As composições de ‘Artista’ retratam assuntos de cunho universal, do ser humano, da existência, de si e do outro”, explica Helton, nascido em Arcoverde. “É um trabalho com caráter antropológico e político-social e que contém influência de tudo do mundo que nós dois vivenciamos até aqui”, pontua Vertin, natural de Juazeiro-BA, e radicado na cidade natal do irmão.


A obra conta com as participações de Juliano Holanda, em "Depois do fim"; do baiano Tuzé de Abreu na flauta em “Tudo é o melhor”, e do poeta baiano Nelson Maca na composição e voz de “Nossa feiura bendita”. Além deles, Helton & Vertin tiveram as companhias da violoncelista Amanda Ferraresi em “Agora Aguenta”, e do cearense Joaquim Izidro, parceiro na composição de “Cuide-se” com Vertin. As faixas são completadas com "Artista", "Resista", "Pra Quem Morreu de Amor", "Uma Balada Belchiana", "Deus Lhe Perdoe e Isso Tudo Faz Crescer".


Quando fevereiro chegar - Estesia e Nina Oliveira


Às vésperas de um carnaval que não vai acontecer, o grupo artístico Estesia resgata um clássico de Geraldo Azevedo e dá uma nova roupagem à canção Chorando e Cantando, que continua bela e melancólica. A versão conta com sutis inserções de beats eletrônicos que casam com os vocais profundos da cantora paulista Nina Oliveira.


Assim como em outras versões, Quando fevereiro chegar do Estesia nos dá uma sensação agridoce que se potencializa no contexto que atravessamos.



Assim Nasce a Esperança - Jr. Black com Marcello Rangel e Ezter Liu


Lançada nas plataformas digitais nos primeiros minutos de 2021, Assim nasce a esperança é uma música pra cima, um chamado à esperança e um apelo à mudança em tempos difíceis. "Vamos sair dessa contramão/Vamos ver qual é/Empurra que no tranco dá pé", diz a letra, que também conta com um excerto de um poeta inédito de Ezter Liu, intitulado “O Baldio Nascimento da Esperança”.


Apesar de ter sido lançada somente neste ano, a canção foi gravada entre 2018 e 2019, mas a mensagem passada por ela foi, certamente, potencializada pela conjuntura atual.



Coração - Samico e Bárbara Eugênia


Samico estreia s Coração , novo single em parceria com a fluminense radicada em São Paulo, Bárbara Eugênia. Coração é uma espécie de autobiografia, que retrata um momento de mergulho interior do próprio artista. "Toda vez que eu tocava essa música, uma ferida se curava", explicou Samico sobre o seu processo criativo. O single anuncia uma nova estética, que se aproxima dos ritmos e influências da música popular brasileira, expondo sua essência poética e minimalista.


A produção musical foi assinada por Luccas Maia. Coração se destaca pela fusão das vozes de Samico e Bárbara Eugênia, que se deixam conduzir pela melodia minimalista e certeira do violão, que é o verdadeiro protagonista desta canção, acompanhado pelos beats sutis. "Depois da música quase pronta, senti a necessidade de somar uma voz que fosse ao mesmo tempo doce e marcante e o timbre e flow de Bárbara encaixou muito naturalmente, igualmente como a energia dela", completou Samico.



Crente – GOMES feat. Glito (clipe)


O clipe do single Crente do pernambucano Gomes integra o primeiro projeto musical do artista, o EP “Um Quarto”, que será lançado neste ano. Ambientado na praia, o clipe brinca com formas e movimentos, de objetos, do mar e dos corpos. Já a letra da canção fala sobre relações afetivas de uma forma intensa e poética, expondo os efeitos de um relacionamento e o vazio consequente.


O lançamento do clipe Crente é uma amostra do que está por vir no EP Visual. Produtor, ator, cantor, escritor, diretor e artista visual, os multitalentos de Gomes devem influenciar em todo o processo de criação do EP, que teve início no ano de 2018. Através da arte visual e de canções com influências sonoras de ritmos como R&B e Pop, o artista pernambucano produziu um trabalho sensível, que apresenta como tema principal os relacionamentos, suas perdas e dependência emocional.



Arrepiou - Semper Volt


Gravado de forma totalmente caseira, o novo clipe do projeto musical Semper Volt é um retrato do existencialismo e introspeção acentuados no contexto de isolamento social. "Arrepiou" faz parte do "Cristal", primeiro álbum do grupo; também lançado na pandemia. Para criar o audiovisual da canção, o elemento principal foi a criatividade, somada a um smartphone, light sticks e imagens de arquivo da Nasa - fórmula perfeita para uma imersão musical e espacial.


A narrativa do vídeo, combinada à atmosfera pop eletrônica oitentista da música, conduz quem a assiste em uma jornada interplanetária, além de produzir reflexões acerca do nosso lugar e papel no universo. A montagem e efeitos visuais do clipe foram feitos por Vinícius Prado Martins, enquanto Cris Motta assina a criação e animação de objetos e efeitos em cena e o artista Leandro Lima entra com a obra "Caixa".


Semper Volt é o projeto do recifense, radicado em São Paulo, João Tenório, filho do baterista Carlos Balla.


Raspe com a colher - Mazuli


Buscando voos ainda mais altos que os já alcançados, o cantor Mazuli lançou, nesta sexta-feira (22), "Raspe com a colher", single que compõe o novo álbum seu novo álbum, com previsão de ser lançado na próxima sexta (29). A faixa é a primeira do disco que leva o nome do cantor pernambucano - o artista, inclusive, está completando cinco anos de carreira neste ano.


Conta uma história nem que seja uma tragédia / lembra bem daquela hora / conta uma piada velha / e diga que me quer ainda nem que seja mal. Os versos hiperbólicos ao mesmo tempo suaves de "Raspe com a colher" traz aos ouvidos uma sonoridade que mistura surf, eletrônico e MPB, e transporta os viajantes a um local alcançável, mas indesejável das paixões, que não necessariamente está sendo ocupado no momento.


Hitzada - Karla Gnom feat. Bione e Lety (single)


Muita vontade de ser tudo que eu quiser ser / E a saudade de tá no baile vendo ela descer / Não invade que aqui tem mina sentindo prazer / Fazendo o que eles sempre sonharam fazer. Da trama rimada, a DJ Karla Gnom lançou "Hitzada", faixa que conta com as parcerias de Bione e Lety. Juntas, as artistas emplacam como grandes promessas que se concretizam na cena do rap pernambucano, diretamente da periferia à ocupação de um espaço ainda bastante "masculinizado" - mas que de forma sorrateira, sem pedir licença, ganha cada vez mais impulsão com as novas criações.


Desconstruindo as formas de produção do mercado, o single traz o corpo feminino no centro das atenções das e para as mulheres. Elas sendo produtoras, acionistas e donas do próprio mercado. Na música, o hip-hop junto ao eletrônico descompassado, incrementam o tom político e instigante da faixa.


Será que vem um movimento novo por aí?



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