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Potência nordestina, remix e estreia: confira os primeiros lançamentos de novembro



Milonga de Severina, de Yves Água (Single e clipe)

O músico recifense Yves Água lançou o single ‘Milonga Severina’. Nas palavras do artista, a canção é “um diálogo de solfejos agudos, barítonos e graves que juntos intercedem pela ruptura da vida hostil das Severinas”. O trabalho faz parte do projeto ‘Um Homem, um vegetal’ e foi escrito por Yves em conjunto com Vinícius Barros, também pernambucano. Já a produção ficou com Daniel Tirado e a masterização com Javier Naceu.

Com poucos dias de lançamento, o single já ganhou clipe. O vídeo foi lançado nesta segunda-feira (20) e como uma forma de driblar o distanciamento social, utilizou-se imagens de arquivo do cinema nacional que atravessam a proposta e narrativa da canção, abordando a histórias de tantas severinas que formam a história do cinema no Brasil. “Severina se acorde / Olha a lenha no fogo / Vai servindo ao seu moço, o almoço vai saindo”.

A curadoria e montagem das imagens foram feitas por Ian Zwanck Goodwin. Confira:


Oração, de Gabriel Sá (Clipe)


Nesta sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, o artista caruaruense Gabriel Sá lançou o clipe da canção Oração, em parceria com Bira e o Bando, DJ Beto e Orí Cia. De Dança. Com ritmos da música popular pernambucana, como o coco e a embolada, misturados a poesia Hip Hop recitada por Bira e o Bando, a canção evoca a ancestralidade e a tradição do povo preto e nordestino.


A voz potente de Gabriel Sá dá o tom à celebração da história da realeza negra, que é enfatizada no clipe. Com trajes inspirados nos Orixás, a Orí Cia. de Dança interpreta a coreografia em um cenário natural e típico da região agreste de Pernambuco. Tingido de dourado, Gabriel dança e canta enquanto afirma que é rei da sua terra e faz menção aos Orixás e festeja a sua cor e ancestralidade.


Na descrição do clipe, disponível no YouTube, o artista reitera que seu trabalho é uma celebração, mas não esquece de reforçar o caráter de protesto da obra. “Uma celebração para reafirmarmos que 13 de maio (Falsa liberdade da Lei Áurea) não é dia de Negro, que não somos descendentes de escravos e sim de reis e rainha”, afirma.



Para Abraçar Quem Sou, de Vinícius Barros (Single)


Nos dias difíceis, a música costuma ser um acalanto, e a canção Para Abraçar Quem Sou, do artista pernambucano Vinicius Barros, proporciona um sentimento de leveza, dança e alegria através do ritmo e das palavras.


Com um ritmo dançante, que remete ao axé music e tem uma sonorização composta por tambores vibrantes, a canção, lançada nesta sexta-feira (20), é uma consagração à beleza e felicidade da negritude.


O refrão desperta o senso de coletividade e comunidade, elemento potente para as pessoas pretas. “Danço pra abraçar quem sou, a nossa pele, a nossa cor, a nossa alma, a nossa voz. Sou porque somos nós!”


Se você está precisando se animar e rememorar coisas boas, vale a pena conferir:



Lábio inferior - Afroito (Clipe)


Em um clima suave, com uma pegada R&B, meio indie e luzes neon, o olindense Afroito lança o novo clipe para música Lábio inferior. A nova canção segue o movimento recente na carreira do cantor, que em “Nunca Mais Eu Venho” e “Debesta” começou a se aproximar de um universo brega e do R&B.


“Encontrar um final pra nossa dança”, canta Afroito. A letra traz justamente esse desencontro amoroso, essa tentativa de buscar um último momento de duas pessoas juntas. A letra lembra bastante os primeiros trabalhos de Jaloo ou da cantora Liniker, que já foram ditas como referências pelo cantor. Mas Afroito é um novo nome, que sem se deter a referências, traz uma assinatura muito própria e está em fase muito profícua de imersão nesse universo da canção romântica.


O clipe para canção mantém o clima suave, entrecortando cenas do cantor em um ambiente mais íntimo de um quarto. Saca aí:



Ethos, de Juba (Álbum)

Na última lista de lançamentos publicada aqui no site, o cantor e compositor Juba apareceu com o single Coco das Flores; quinze dias depois Juba volta à lista com o álbum completo: Ethos.


O disco de estreia mescla várias sonoridades e nuances próprias da região Nordeste, resultando num trabalho que une frevo, xote, coco e outros ritmos que compõem uma obra coesa, que busca conferir uma nova roupagem à elementos tradicionais como acontece em Meia Lua, Lua e Meia, um som indie que não abre mão dessa influência nordestina.


O álbum teve a produção de Júnior do Barro; os instrumentais foram gravados ao vivo em estúdo e a mixagem e masterização ficou a cargo de Buguinha Dub



Amante sem saber, de Priscila Senna (Clipe)


Dando continuidade ao processo de disruptura e mistura do brega romântico com ritmos como o arrocha e o sertanejo, Priscila Senna, a Musa, lançou o videoclipe de Amante Sem Saber, já disponível no YouTube e nas principais plataformas digitais de música.


Composição de um quarteto masculino e produção executiva da A3 Entretenimento, a canção conta uma história de traição, tema que se aproxima bastante da realidade a qual se apropriou o brega ao longo do tempo e o sertanejo, mas traz em seu cenário a amante relatando o caso à esposa do homem que as enganou, frente a frente. "Tá sendo duro contar isso pra você, mas se fosse comigo eu também iria querer saber".


Mas uma característica nesse processo de transição, em especial, não passa despercebida. A letra da música traz um ambiente de balada ao invés do corriqueiro e saudoso bar, espaço de compartilhamento da sofrência. "Bebendo na balada com os amigos, como eu ia imaginar que ele era comprometido?".


Mesmo com batidas e ritmização diferentes dos trabalhos já lançados pela artista, a "bregalidade" na sonorização do que é cantado em Amante Sem Saber continua presente na voz de Priscila Senna.



Maré Mansa 2.0, de Héloa com DJ Dolores e Yuri Queiroga e Opará na Pista, de Heloá

Um ano depois do lançamento de Opará, seu primeiro disco, a sergipana Héloa lançou ontem (dia da Consciência Negra) um EP contendo quatro remixes feitos por DJs de diferentes regiões do país. Entre as participações estão as de DJ Dolores e Yuri Queiroga, que assinam Maré Mansa 2.0.


Os remixes que compõem Opará na Pista consolidam um diálogo entre linguagens, expressões e ritmos afroindígenas com sonoridades e elementos de uma estética pop. Tal movimento contribui para que a recorrente distinção entre o ancestral e o moderno se desmanche, mostrando que estes conceitos se fundem em diversos campos da nossa existência, inclusive na música de Héloa.


A música, que aborda a temática da força das águas e das travessias, conta com a participação das “Mulheres Livres”, grupo formado dentro do Carandiru por mulheres em situação de cárcere. Maré mansa 2.0 também ganhou um clipe, no qual a artista usou ropuas desenhadas pelo estilista sergipano Altair Santos; o figurino traz referências da cultura popular quilombola e indígena.



Agente Plural, de Juma


O músico pernambucano Juma lançou ‘Agente Plural’, seu single de estreia e a primeira de uma trilogia de canções que ainda será lançada por completo. O cantor une o coco ao brega e também tem influências do blues e da música eletrônica. A produção é do selo independente Alcalina Records, de São Paulo; feita por Agê, Edu Arrj e o próprio Juma. O artista compôs a letra e a música, que foi incorporada pelos baixos e guitarras de Agê e masterizado por Edu.


A temática da canção gira em torno de encontros, toques, angústias e desejos suprapandêmicos que habitam a nossa realidade atual:


"Agora dei por mim que já estamos em Novembro

Desde Março, Junho ou Julho, nem sempre lembro

Que o Sr. do Tempo fala sempre pequeno

Tempo que estás em mim, cavaco, voz adentro


Confira:


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