• Revista Gruvi

Música pra assistir, estreias, forrózinhos e muito mais; os lançamentos da última quinzena de março




Olho dela - Tagore (single)

Prestes a lançar 'Maya', seu terceiro disco de estúdio, Tagore soltou mais um single do trabalho que está porvir. Em outras seleções de lançamentos, falamos um pouco sobre 'Tatu' e 'Drama', as outras duas músicas já lançadas que farão parte do disco, com lançamento previsto para os próximos meses. O single da vez é 'Olho dela', que, de acordo com o próprio artista, tem inspirações na obra de Jorge Ben.


Apesar da declarada inspiração, não é explicitamente uma balada no estilo de Jorge Ben. As guitarras suingadas estão lá, o violão de base também e mais uma soma de elementos que conferem a autenticidade do artista. Trata-se de um som original, "pra cima" e com uma letra que versa sobre o desejo e as peças que ele prega.


“Ela tem uma cara menos de lamento, é mais pra frente. É o sentimento de saudade numa roupagem mais dinâmica”, comenta o músico.


Cold coffee - Deriva ft. Twanny (single/clipe)

Cold Coffee, de Deriva é uma grata surpresa. A música, lançada na última semana, é um indie bem agradável. Por causa da letra, um pouco triste, mas nem tanto, o single passa uma sensação um tanto quanto agridoce. Quem divide os vocais com Deriva - de forma bem harmoniosa - é a cantora Twanny.


Poucos dias após o lançamento, Cold Coffee ganhou um clipe dirigido pela caruaruense Rafaela Amorim (Braba). É mais um projeto viabilizado pela Lei Aldir Blanc que aparece na nossa seleção desta sexta (2).


Sobrevivências Periféricas - Barbarize (Álbum Visual)


Em meio ao vazio, cores. Foi numa mistura de cenários que o grupo Recifense Barbarize lançou Sobrevivências Periféricas, álbum visual que envolve ancestralidade, beleza e reafirmação nas seis faixas que compõem o trabalho.


Conforme propõe-se, o álbum explora paisagens multicoloridas, que colocam o corpo preto e periférico no centro das produções, naturalmente como propulsor das criações artísticas. O trabalho se materializa como resultado das experiências cotidianas do grupo no bairro do Pina num diálogo inseparável com as problemáticas que cercam a capital pernambucana.


Em Celestial, canção de abertura do álbum, toda a cenografia se constrói entre a paisagem do manguezal e seu ecossistema, ambiente que se mistura com a potência das performances do grupo. Geração, Foco e Ilumina, canções que sequenciam o trabalho, envolve a mistura do tecnobrega com o eletro numa batida instigante e empoderada. Já Raio Solar traz visibilidade para o flerte e afetividade afrocentrada, enquanto Preto no Topo dá o desfecho do álbum. "Tu se apropria da nossa cultura e ainda me chama de colonizada / pode deixar / o que é teu tá guardado e cancela esse papo de alma afro".


O álbum contou com o incentivo da lei de fomento à cultura, Aldir Blanc.



Noite de Forrobodó - Cascabulho (Single)


Buscando manter as raízes da Zona Rural pernambucana, o grupo Cascabulho lançou Noite de Forrobodó, primeira faixa do EP "Fogo na Pele". O trabalho é o quinto álbum da banda e conta com participações especiais de Josildo Sá, Mestre Galo Preto e Cláudio Rabeca.


Além de uma arte visual que simboliza a identidade do grupo, já com mais de 25 anos de carreira, Noite de Forrobodó revisita o que há de mais íntimo nas relações interpessoais do cotidiano a partir das perspectivas dos próprios integrantes da banda.


O trabalho foi lançado com apoio do selo Aurora Artística, enquanto a produção ficou a cargo de Breno Cesar Cunha.


+18 - Jovem Otto (Álbum)


Em ascensão, o trap agenciado por artistas de Goiana, na Zona da Mata pernambucana, alcançou voos mais altos com o lançamento de +18, projeto produzido por Jovem Otto. O álbum conta com cinco faixas colaborativas com artistas do coletivo CallCommunication. Da parte visual à sonora, o trabalho foi produzido de forma totalmente independente.


As cinco faixas trazem temáticas como "relacionamento moderno" e as complexidades dessas relações, muitas vezes ressignificadas pelo próprio trap. Em Saudade, 1Louco e Lucas Torres, ambos com participação especial, assumem as cordilheiras do vocal. O artista Mora$ aparece em Baby, Cê é Gata. Ponto Final Sem Cor e Plano de Voo contam com participação de Const, enquanto YungBoo finaliza o trabalho com Jovem Otto em Nuvens.


Vale a pena prestigiar a cena independente da Zona da Mata.


Corpóreo - Lucas Torres (EP)

É refletindo sobre as novas formas do corpo habitar o mundo que o cantor pernambucano Lucas Torres lança o EP “Corpóreo”. O trabalho reúne cinco faixas que mergulham em uma experimentação eletrônica: Simbiótico, Metamorfo, Transitório, Reprogramado, Hospedeiro.

As canções configuram um universo particular e coerente que parece questionar os padrões possíveis de existência, além de apresentar inquietações sobre o ser humano animal vs. máquina e pautar questões referente a aceitação e amor próprio.

A sonoridade ruidosa, com diversas texturas e camadas eletrônicas, incorpora-se à narrativa, colaborando com uma ambiência quase futurística que trabalha as metamorfoses do corpo livre de amarras. Para construção do EP, o cantor se inspirou em artistas como Bjork, Arca, Sevdaliza e Maria Beraldo.

Todas as músicas foram compostas por Lucas, com direção musical do próprio artista e de Sam Silva - musicista parceira do cantor que participa da faixa que encerra o EP. A produção ficou com Wagner Melo. A produção recebeu incentivo da Lei Aldir Blanc Pernambuco.


Confira:


Aquenda - O amor às vezes é isso - Luna Vitrolira (álbum e curta-metragem)

A multiartista pernambucana Luna Vitrolira estreia na música com a transformação da narrativa do seu livro “aquenda - o amor às vezes é isso”, finalista do prêmio Jabuti 2019, em disco e curta-metragem.

O álbum reúne dez faixas bem diversas que passeiam por sonoridades ancestrais; como coco e maracatu; jazz, tons de trap e bregafunk. Toda essa confluência sonora é atravessada pela potente voz ritmada de Luna e os pianos e arranjos de Amaro Freitas, que funde o clássico ao moderno no disco; resultando em som forte e não convencional.

O lançamento traz também um curta-metragem com o mesmo nome, dirigido por Gi Vatroi e Aida Polimeni. Com dezoito minutos de duração, o vídeo conta com 7 faixas do disco e uma inédita (Águas espessas). O filme, que se passa em um engenho na região canavieira de Pernambuco, trata de ancestralidade, memória e rituais de cura e libertação.

Confira os trabalhos:


Dias Impossíveis - Juvenil Silva ft. Seu Pereira

Juvenil Silva é um dos artistas que teve a composição aflorada pelo caos e incerteza da pandemia. O novo fruto da criatividade do artista é Dia Impossíveis, uma parceria com o paraibano Seu Pereira. O single é mais um gostinho do que será o EP Lonjura. A canção foi toda arranjada à distância e transmite uma narrativa “pós-apocalíptica” que retrata bem a situação atual.

Tratar da crise da Covid-19 é algo que tem marcado bastante o trabalho pernambucano, como em Regalia, onde o artista canta as desigualdades do isolamento social, por exemplo. Dias impossíveis é mais uma canção que registra esse momento. “Olha, nesses dias impossíveis / Onde o medo anda na moda / Empatando a foda, risos, laços, nós / Quero que você tome cuidado”.

Para este single, Juvenil, além de voz, toca violão e baixo; Marcos Gonzatto, diretamente de Londres, tocou guitarra; Feiticeiro Julião toca piano; Pierre Leite pilotou um Roland Jx8p, Korg EX8000 e Sintetizador modular; e Gilvandro R gravou bateria.

A mixagem ficou por conta do jovem músico e produtor Tonho Nolasco, e a masterização, com o já experiente D Mingus.

Confira:



Prelúdio (Status e Cor de Maria) - Maria Flor (singles/clipes)


A cantora e compositora Maria Flor lançou Prelúdio, um projeto que consiste no lançamento de dois singles/clipes autorais. Status e Cor de Maria, as duas músicas lançadas, têm uma espécie de elo entre o erudito e uma música mais pop. Nelas, a voz de Maria Flor vem acompanhada de um conjunto de cordas (violoncelo, contrabaixo acústico, guitarra semiacústica) e bateria.


Em Status, Maria traz uma crítica explícita às redes sociais e aos impactos que o uso indiscriminado de tais ferramentas podem exercer sobre as pessoas. "Vai congelando momentos/Mostrando lugares, amores e pratos/Mente até pra si mesmo/Despreza a verdade, mas não perde o status", diz a letra.


Prelúdio é mais um entre os projetos mencionados na lista de hoje que teve o apoio da Lei Aldir Blanc, através do Edital de Criação, Fruição e Difusão LAB PE, lançado pela Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco.




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