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Inovação, psicodélia e esperança: confira os últimos lançamentos de fevereiro e primeiros de março



Um Quarto - Gomes (EP)


“Quanto mais eu canto, mais você vai me desentender”. O trecho marcante da canção “Não Vai” parece sintetizar a essência do recém lançado EP "Um Quarto”, do multiartista recifense Gomes. Na verdade, para além de exprimir a estética do trabalho, a frase inflama uma reflexão metalinguística acerca do próprio estado da arte e sobre a forma como o artista se relaciona com ela. A desarmonia surge como um caminho para o autoconhecimento e acolhimento dos sentimentos.


Com tons de r&b, pop e brega romântico, o EP conta com quatro faixas que abordam relações amorosas e familiares, autoperdão, perda e dor. Em suma, as subjetividades cotidianas enquadradas dentro das impossibilidades musicais e artísticas. Isso tudo permeado por uma sonoridade inovadora que nos faz navegar nas narrativas das canções. O resultado final do trabalho, incluindo a empreitada visual, só foi possível graças ao trabalho de artistas de diversas áreas que atuaram em conjunto com Gomes.


O clipe da faixa “Crente” já está disponível e os das outras canções do trabalho já foram gravados, com lançamento previsto para este semestre.


Confira:


Desmantelo - Mooniz com Lucas Silveira (Clipe)


O artista pernambucano Mooniz faz estreia do seu segundo single "Desmantelo" em parceria com Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno. Com uma mistura da nova psicodelia e synthpop, em uma sonoridade em movimentos dançantes, além do timbre suave, na letra a música aborda algumas paralisias e sentimentos de confusão. "Tudo isso foi criado durante os primeiros meses de pandemia, em um momento de solitude e fala muito sobre minha vivência", explica Mooniz.


A excelente produção musical foi assinada pelo próprio Mooniz, mas também contou com a colaboração de Luccas Maia. Para essa faixa, a linha de baixo soa marcante, conversando bem com os timbres de bateria e sincronizando com forte presença de synths, o que garante a ambiência um tanto dramática para acompanhar a narrativa da composição.


No videoclipe assinado César Reynoux, assistimos a performance de Lala Teles, que traz uma coreografia marcada pela espontaneidade, se relacionando com uma paisagem natural e inspirada no processo de viver o luto do fim de relação entendendo.


Assista:


Tagore - Tatu (Clipe)


O cantor e compositor pernambucano Tagore Suassuna teve uma virada criativa entre 2019 e 2020. O lançamento que marcou isso foi “Drama”, parceria feita ao lado de Dinho Almeida, dos Boogarins. Tatu é um single que caminha pela levada da neo psicodelia, com uma letra noturna que relembra outros tempos não epidêmicos.


De acordo com Tagore, a faixa reflete esse período atual. “Se eu fosse um profeta, não tinha dado tão na lata”, disse. A faixa tem uma levada de samba, inspirada em Tom Zé e cacofonia do disco Estudando o Samba.


Confira:


Atrazina - Duque de Araque & Sedutora (Clipe)


A música naturalmente tem o poder de nos transportar a dimensões profundas de afetividade e autoconhecimento. Em tempos sombrios, em que "criar expectativa" passou a ser sinônimo de vida no cerco do descaso instaurado no Brasil, a dualidade de ritmos faz ainda mais sentido. Assim o grupo pernambucano Duque de Arake se reinventa em clipe lançado com participação da banda Sedutora, numa investida inusitada de rock e brega, que, apesar de diferentes, se completam em Atrazina.


A canção levanta reflexões sobre depressão, ansiedade e automutilação numa combinação de performance, instrumento e vocal. Dados de 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, mostram que 16,3 milhões de brasileiros acima de 18 anos sofrem da primeira patologia. "A gente precisa alertar sobre essas doenças psicológicas durante todo o ano e não só no Setembro Amarelo. E por isso decidimos trazer essa discussão nesse single. Acreditamos que nossa mensagem possa ser bem recebida por essas pessoas" contou o vocalista e compositor da Duque de Arake, Guga Milfont.


Ao servir de alerta, a música também traz pontadas de ânimo, com melodia que mistura o som melancólico e, por ora, acelerado e empolgante. Um verdadeiro sopro de vida e esperança, em meio ao caos.


Revolução - Gabi da Pele Preta (Clipe)


São tempos difíceis demais e a música é uma das formas que encontramos de conforto e resistência. É preciso buscar força para sobreviver e continuar e um dos nossos maiores desafios atualmente é não sucumbir em meio a tanta tragédia. Lançado no dia 26 de fevereiro, o single “Revolução” da cantora caruaruense Gabi da Pele Preta é um convite à dança como forma de reviver.


O single é o primeiro trabalho de estúdio de Gabi e foi composta especialmente para a artista pelo músico pernambucano Juliano Holanda. Revolução é a primeira de quatro músicas que vão compor um EP, o primeiro álbum oficial da cantora que está previsto para ser lançado ainda este ano.


“Você me chamou pra dançar e eu fui, que dançar é uma revolução” é assim que a cantora nos chama para amar e resistir em um clipe que conta com diversas pessoas dançando ao som de sua voz. O clipe de Revolução está disponível no canal do YouTube de Gabi da Pele Preta e o single nas principais plataformas de streaming.


Confira o clipe:




Brisa na Sul - Clé & Sethimo (Clipe)


Fugir da "coisa comum" e estabelecer relações sonoras globais faz parte da nova empreitada de Clé na música. Natural de Igarassu, acolhedora Cidade Histórica no Agreste pernambucano, a artista assume a cordilheira do Trap em Brisa na Sul, clipe produzido em parceria com o rapper Sethimo, e já disponível nas principais plataformas digitais.


De modo peculiar, a artista se firma dentro de uma identidade desprendida, com raízes que misturam o Trap rasgado e sarcástico. Em Brisa na Sul, a mistura com o pop também foi uma aposta da pernambucana, que tem pavimentado o caminho para o protagonismo jovem/feminino na cena do Trap local. Mas não só isso.



Ególatra - Franca Damata (EP)


Nesta sexta-feira (05), o EP "Ególatra", do artista pernambucano Franca Damata, completa um mês de lançamento e finalmente a produção musical veio compor a nossa lista!


Natural da cidade de Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, o rapper apresenta em seu trabalho uma mistura interessante entre trap e o tradicional rap de mensagem, com sonoridades marcantes de boombap, que reforçam a potência das composições. Ególatra traz narrativas potentes sobre um ego emocionado e conflitante. Com as faixas “Ególatra”, “Pós-Moderno”, “Emoldurado” e “Cansado”, o artista contempla estados emocionais de sua própria vivência em uma sociedade conturbada e cheia de dilemas.


O single que dá nome ao EP conta com um clipe gravado no Cine-Teatro Recreio Benjamim, que, segundo o próprio artista, se tornou um prédio abandonado graças ao descaso dos governos estadual e municipal. O cenário escolhido pelo rapper para a gravação de Ególatra reforça o protesto presente em toda a obra: uma experiência pessoal e narcisista em uma sociedade tomada pelo descaso e pela desigualdade.



MD - Passaporte Espaço Tempo (Single)


Passaporte Espaço Tempo, do pernambucano MD, é um trabalho que concretiza um movimento na carreira do artista em direção ao Trap. A música, que chama atenção pela produção requintada, segue tendências musicais internacionais, mas com os pés em PE. O single também ganhou um clipe e deve ser uma das músicas que serão lançadas num EP homônimo pelo Selo Estelita.


O processo de produção do single foi peculiar. Surgiu a partir das interações de fãs e pessoas próximas que interagiram por meio dos seus perfis nas redes sociais. MD promovia lives e nelas deu início a um processo de criação que contava com um feedback quase simultâneo da parte do público.





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