• Heloise Barreiro

Imperturbável, Guma faz série de covers e se prepara para o futuro


A banda recifense Guma tem passado os últimos meses em uma atmosfera de chá de camomila e suco de maracujá: calma e imperturbável, mas sempre focada. Devido o isolamento social, o trio formado por Caio Wallerstein, Katarina Nápoles e Carlos Filizola precisou desacelerar o ritmo de criações musicais. “A gente eliminou as produções, não temos feito muita coisa de criação, cada um mais na sua, para quando a gente voltar pro mundo real ter a oportunidade de trabalhar todos juntos”, explica a vocalista Katarina.


Na verdade, o grupo já olha para o futuro. Um bom tempo dos meses de reclusão foi dedicado à organização do material para inscrição no edital do Funcultura, projeto de incentivo cultural de Pernambuco. Caso sejam aceitos, o novo álbum será financiado pelo programa. O último disco lançado foi álbum de estreia Cais, em 2018, resultado de mais de dois anos de produção, rendendo apresentações importantes no Recife, como a abertura do Coquetel Molotov (2018), e também ganhou uma seletiva do Rec’n’Play, além de shows em Natal, Fortaleza e São Paulo.


No momento, a banda se prepara para iniciar o processo de gravação do novo álbum. “Estamos muito no processo de criar outras coisas, a gente já tem mais de 10 músicas bem encaminhadas, com melodia e letra, e estamos no processo de começar a gravar”, diz Katarina. A expectativa agora é a aprovação no Funcultura, que possibilitaria o processo com maior tranquilidade, mas não é um pré-requisito. “Ele vai sair de qualquer jeito, com ou sem o apoio do Funcultura; se for sem o apoio, a gente vai fazer um crowdfunding ou algo do tipo”.



Para compensar o “sumiço”, em junho a banda lançou o projeto “Sessions em Casa”, que consiste em covers de canções que são referência para a trajetória da Guma. Até agora, já foram publicado três vídeos: Pomba Gira do Luar, de Luiza Lian; Esse Filme Que Passou Foi Bom, de Letrux e Corpoconinente, de Céu. “A gente viu nesses covers uma possibilidade de se manter ativo na internet e de continuar produzindo. Até de usar esse momento como uma oportunidade de se espalhar pelas redes sociais”, conta Katarina. De acordo com a vocalista, o movimento foi bem sucedido e garantiu mais visibilidade para a banda, que até foi seguida no Instagram pela banda completa de Letrux.


A curadoria das músicas é simples: canções e artistas que de alguma forma atravessaram o projeto da banda. O projeto deve ser continuado, ainda, com músicas da Cidadão Instigado. Para a vocalista, o segredo é reinterpretar a música, e não apenas reproduzir. “Tentamos colocar alguns elementos que a gente já usa muito na banda, como os timbres da guitarra de Carlinhos, a maneira dele tocar, às vezes uma coisa mais sincopada; mais psicodélica. Também o SPD que Caio usa no lugar na bateria acústica e o sintetizador que eu uso”, explica.


Os dois primeiros vídeos, covers de Luiza Lian e Letrux, foram gravados e montados pelos próprios integrantes, cada um em suas casas. Já o terceiro vídeo, da música Corpocontinente, foi produzido por Moema França (que também atuou no clipe de Destilado), com a banda reunida no cenário da live que acontece neste sábado (19), às 18h. A ideia de gravar um clipe mais trabalhado, conta Moema, já era discutida há um bom tempo. “Era algo que a gente já vinha conversando, então foi só marcar o dia, levar os equipamentos, álcool em gel e máscaras no rosto”.


A inclusão de Moema fortaleceu o audiovisual do projeto, que ganhou um vídeo com propostas estéticas pautadas em trechos de clipes de Céu, além de montagens de cores de clipes de música pop e funk ou até mesmo de rap nacional e internacional, como explica a produtora. O destaque na identidade visual do vídeo é a coerência de cores e as montagens inusitadas. “É um vídeo que teria funcionado tranquilamente com uma edição mais “básica” já que o material bruto que eu tinha era legal, mas percebo que a identidade dele realmente se deu nas experimentações da montagem”, conta.


A produção audiovisual brinca com as cores, luzes e objetos do cenário, com o telefone e o álcool em gel, que foi notado de cara por todos que assistiam ao vídeo por ser um elemento agora tão intrínseco ao nosso cotidiano. “Como já sabia que a parede do lugar era marrom e branca, pedi pra que eles levassem roupas nessas cores pra gente brincar um pouco. Improvisei algumas luzes, mas os objetos do cenário (tipo o telefone vermelho e o álcool em gel) eram coisas que já estavam por lá”, detalha Moema sobre o processo de captação de imagens.


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