• Heloise Barreiro

Gael Vila Nova celebra a vida com sensibilidade e maturidade no EP “Cantando Poemas”

É cantando que eu celebro a vida e a sensibilidade”. Esse é o mote inicial do caruaruense Gael Vila Nova ao abrir com maestria o EP “Cantando Poemas”. A intro “Por Que Faço o Que Faço” segue dizendo: “É escrevendo que eu desafio a física e a crua realidade”. Logo nesse início um bom ouvinte entende (quase) tudo. O artista começa justificando de forma sucinta e impactante toda a essência do seu trabalho e o porquê da sua arte, dando sinais de uma ligação fortíssima com a poesia e com as subjetividades das relações e das pessoas.


Além da intro no estilo poema recitado, a obra apresenta três faixas acústicas: “Preta”, “Tente Entender” e “Refúgio”. A primeira parece relatar com sensibilidade um amor tranquilo, com referências à paisagem agrestina nos detalhes: As cores dos teus olhos escorrem/ Pelos dedos de tua mão/ Que colorem a nuvem agrestina/ Na cor de um algodão.


Foto: Cecília Távora

Um destaque do EP é a segunda canção, “Tente entender”. Isso se dá porque vivemos uma realidade em que o senso comum supervaloriza os anos de experiência, e em contrapartida a sabedoria e vivências dos jovens são colocadas em segundo plano. Aqui, nos interessa reverter essa lógica. A canção nos coloca imediatamente em modo reflexivo e surpreende ao escancarar a maturidade do jovem de apenas 24 anos que canta sobre compreensão, erros e perdão: “Às vezes é difícil perceber/ O que se passa na mente de quem não é você”. A música, lançada como single em agosto deste ano, tem inspiração no trabalho de nomes como Zé Manoel, Legião Urbana, Nando Reis e Tiago Iorc.


Tal maturidade, contudo, não surge de repente e sem esforços. A história começa muito antes de Gael colocar seus trabalhos recentes no mundo. Compositor desde os 13 anos de idade, o artista já fez shows em sua cidade e tocou em bandas locais. Atualmente, participa como guitarrista da banda neorregionalista pop Joana Francesa, de Caruaru, além de integrar o Coletivo de Artistas Independentes de Caruaru (CAIS). No âmbito da escrita, também participa do coletivo de jornalismo cultural Café Colombo.


Escute “Cantando Poemas”:


De volta ao EP, a canção “Refúgio” fecha o disco com uma reflexão sobre ser abrigo para alguém, ao mesmo tempo que evidencia a importância de perceber uma força própria. Assim como as outras canções, “Refúgio” é recheada de metáforas: “Fogueira em dia frio” ou “Conteúdo pro teu vazio”.


As três músicas que compõem a obra foram gravadas no modelo voz e violão, consolidando uma proposta intimista e mais sensível que dialoga com o mpb e folk, além de fazer referência aos tradicionais cantadores de viola, que também agregam música e poesia.


Para completar a experiência intimista, as canções foram lançadas em formatos de Sessions em vídeo. Confira:


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