• Revista Gruvi

Experimentalismo e estreias: confira os lançamentos dos últimos quinze dias


Patricinha Maloqueira - Barro e Shevchenko e Elloco (single/clipe)


O bregafunk e sua capacidade de se reinventar. No dia 2 de dezembro, o artista pernambucano Barro se juntou à dupla Shevchenko e Elloco para dar vida ao lançamento de Patricinha Maloqueira, música que chega ao público acompanhada de uma produção visual, trazendo elementos da cultura urbana-periférica do Recife e raízes do que já é produzido na América Latina.


"Tenho interesse em me desafiar e em buscar caminhos que nunca trafeguei. Fui criando essa atmosfera de conectar novas sonoridades que estão surgindo e juntar com essas camadas dos sons mais ancestrais que sempre permearam meu trabalho, buscando uma linguagem pop e acessível", explicou Barro sobre a ideia da produção.


Um ponto que chama bastante atenção no clipe é a mistura da estética pop nordestina, fruto do trabalho que já vinha sendo desenvolvido por Barro, com expressões de latinidades ainda, de maneira geral, pouco vistas no bregafunk. Além das referências próprias e da mistura entre sonoridades locais e estrangeiras, o trabalho nos remete a uma movimentação interessante, que pode significar uma reinvenção do gênero.


Para Shevchenko e Elloco, a produção e execução de Patricinha Maloqueira foi diferente dos trabalhos anteriores. "A gente está acostumado a fazer tudo na raça e já ir lançando. Dessa vez a gente teve um processo diferente, produzindo com mais calma e cuidado em todas as etapas. O resultado está maravilhoso, porque foi feito com muito amor".


Confira:
















Ressemântica - Laís de Assis (álbum)


Leve como uma folha recém caída, forte como a Aurora. Assim surge o disco Ressemântica, da violeira pernambucana Laís de Assis. O trabalho foi lançado no dia 26 de novembro nas principais plataformas digitais e carrega novas sonoridades da viola nordestina, ao mesmo tempo em que preserva sua linguagem ancestral.


O álbum conta com 13 faixas, sendo a maior parte das criações compostas e arranjadas pela própria artista. “O disco é resultado da minha liberdade artística e criativa em relação à viola, de tudo que vivenciei na vida até chegar nele. ‘Ressemântica’ é parte de mim que se transformou em som. Minha musicalidade vem muito disso, de incorporar vários elementos dentro do sotaque da viola nordestina, de criar essas imagens sonoras”, diz a pernambucana, que, para o trabalho, contou com as contribuições de Johann Brehmer (percuteria) e Alex Santana (tuba) para a formação da banda.


Ressemântica apresenta um ciclo que propõe três ambientes diferentes. As aberturas de cada bloco são pontuadas por poesias de Graça Nascimento, de Canhotinho, no Agreste do estado. A primeira parte do trabalho é formada pelas faixas Coragem, Entre Luas e auroras, Mãe D'água, Centelha e Terra Vermelha, que fazem referência à ideia de chão, de raízes fincadas e ancestralidades.


Com as músicas “Morada”, “Cortando caminho, “Frevo para um carnaval que não passou” (com participação do trombonista Nilsinho Amarante), “Ponteada” e ‘A Dama de Espadas”, Laís dá o tom da segunda parte do disco, com o conceito de descoberta, reconhecimento e aceitações. Já a terceira e última parte do álbum aborda a “ressemantização”, a exploração, a volta ao passado para ressignificar o presente e adentrar novos espaços, com as canções Será sina?, Ressemântica e Uma carta para a saudade.


O álbum Ressemântica foi financiado pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura-PE).


Confira:















Calma - Báw Pernambuco (single)


Para a pressa, ansiedade e o turbilhão de coisas que nos cercam no dia a dia, Báw Pernambuco pede "Calma". O substantivo dá nome ao novo single do artista, o segundo de sua carreira, que já está disponível nas principais plataformas digitais.


A canção traz elementos de aceleração e construções eletrônicas, que ajudam na ligação entre a agitação e a tranquilidade proposta em sua composição. “Acho que por eu ser psicólogo, tenho o hábito de dialogar com as emoções, e, na minha expressão, quase que as personifico. Depois de dedicar uma música à solidão, agora dedico à calma.”, afirma o cantor.


Confira:















RoB Love - RoB (álbum)


Com ritmos jamaicanos e eletrônicos, a cantora e compositora pernambucana, RoB, lançou o seu álbum de estreia “RoB Love”. As canções do disco sintetizam as diversas referências que a artista adquiriu com suas andanças pelo mundo e trazem uma sonoridade múltipla com influências de Reggae, dub, pop e synthwave.


A voz suave de RoB se misturam com naturalidade e leveza aos arranjos musicais e criam uma atmosfera dançante e mística. Além disso, a cantora mistura letras em português e inglês, algo que, para ela, é influenciado pelo seu desejo em ser ouvida mundialmente.


O disco, que contou com a produção musical de William Paiva, tem 10 faixas e uma roupagem que é forte e doce ao mesmo tempo. Além do álbum, que está disponível em todas as plataformas digitais, a obra “RoB Love” vai estrear junto com a gravação do show da artista, que será lançado no dia 10 de dezembro, às 21h, no canal do YouTube de RoB.


Ouça o disco “RoB Love”:



Raiou - Lauro (single)


Recém chegado a cena musical pernambucana, o artista recifense Lauro lançou o single “Raiou”, uma canção que mistura a novidade com o tradicional com uma sonoridade que traz a referência do maracatu junto com um arranjo de violão que lembra a famosa “nova mpb”.


“Raiou” desperta uma sensação genuína de alegria tanto na letra quanto no ritmo. Vale a pena conhecer e acompanhar o trabalho de Lauro, que promete ser uma revelação da nova geração de artistas pernambucanos.


Confira o visualizer de Raiou:



Além de você - Naondi (single)


Com forte influência dos Beatles, o pernambucano Naondi lançou seu terceiro single “Além de Você”, canção em que faz uma auto-reflexão sobre seu lugar no mundo; suas dores e dificuldades.


O diálogo de Naondi acontece com os álbuns Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e Magical Mystery Tour, ambos de 1967, período em que a banda inglesa estava imersa nas sonoridades indianas. A faixa também conta com referências de pernambuco, como o maracatu de Nação Zumbi e um Alceu Valença setentista.

Nesta faixa, Naondi conta com as flautas de Ciano Alves, do Quinteto Violado e a bateria de Arquétipo Rafa. O lançamento foi pelo selo Móbile Lab. Confira:


Corpo Flechado - Dudu Hissa e Otto (single e clipe)


Em uma atmosfera intensa e dançante que une Rio de Janeiro e Pernambuco, Dudu Hissa e Otto lançam o single “Corpo Fechado”, faixa que passeia por várias vertentes da música brasileira, como samba, baião e até mesmo arranjos eletrônicos.


O single acompanha um clipe envolvente e tropical que corrobora com a narrativa dramática de um coração partido. As imagens e a música são repletas de paixão, dança e melancolia, tudo a ver com a estética construída por Otto e sua música ao longo dos anos.


Essa faixa é a primeira de uma sequência de lançamentos que prenuncia o álbum de estreia do artista fluminense. Confira:



Endless Funerals - SOUL (EP)


Com referências diversas que passeiam de Nico a Billie Holiday, a produtora, cantora e compositora pernambucana SOUL lança o EP “Endless Funerals”. Como temática, o trabalho aborda desgoverno, corpos marginalizados, negligência e precariedade. A proposta experimental articula ruído e poesia.


O EP conta com 5 faixas, entre elas a ‘Smokin’ Jazz’, produzida por Benke Ferraz em colaboração com Victor Uchoa-Lima e letra escrita pela artista. A canção é fruto do trabalho desenvolvido na oficina ‘Mapeando Pernambuco’, evento que visou conectar novos nomes de Pernambuco.


Dá uma olhada:


Hardcore Brasileiro - Chinaina (releitura/single/clipe)


“Hardcore brasileiro é o frevo”. Da roda de pogo ao fervo de Olinda, o músico, cantor e compositor Chinaina (China) lança uma releitura de Hardcore Brasileiro (Chinaina/ Bruno Ximarú/ Hugo Carranca), um dos sucessos de sua primeira banda, Sheik Tosado. A canção abre a divulgação de um novo EP com temática carnavalesca, programado para chegar ao mercado no início de 2022. “Carnaval da Vingança” trará músicas inéditas e releituras.


A música foi lançada em 1999, no álbum “Som de Caráter Urbano e de Salão” (Trama), e agora ganha releitura com uma orquestra de frevo, porém mantendo a mesma atitude da versão original. Com arranjo de Nilsinho Amarante, o frevo, que normalmente tem seu andamento em 150 BPM, ganhou mais velocidade nessa nova versão. “Sempre quis cantar essa música com um arranjo para orquestra, mas não foi fácil convencer Nilsinho Amarante de que tinha que ser rápida como um hardcore", comenta China.


Assista o clipe de Hardcore Brasileiro:


Cegueira - Ucalundu e Lirinha (single)


Cegueira é a música que deu origem à banda de Feira de Santana (BA) Ucalundu e é também a sua música de estreia. Marcado por um clima sombrio e melancólico, com guitarras potentes, a faixa conta com participação especial do pernambucano Lirinha. O single sai pelo selo feirense Banana Atômica e trata da dualidade de ver o outro.


Ucalundu começou a nascer em 2015 e depois de algumas tentativas de formações, hoje é composto por Luyd Andrade (guitarra), Tito Pereira (piano, sintetizadores e voz), Flaviano Gallo (bateria e voz), Ivan Santos (baixo) e o próprio Zecalu (voz e composições).


Ouça Cegueira:




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