• Revista Gruvi

Eu, Cata-vento e o novo voo solo de Juliano Holanda

por André Santa Rosa

Juliano Holanda / Foto: Tiago Calanzans/Divulgação

Estar em constante movimento, mas também deixar o movimento te afetar. É justamente o que tem feito Juliano Holanda e é esse o mote de seu novo single, “Eu, Cata-vento”. Após quatro anos desde Espaço-tempo, seu último disco solo, Juliano Holanda circulou, fez shows e trabalhou com grandes nomes da música brasileira como Almério, Elba Ramalho, Filipe Catto e Zélia Duncan. Seu novo lançamento, já disponível nas plataformas de streaming, é o primeiro single de seu novo disco Sobre a Futilidade das Coisas, com previsão para o segundo semestre de 2020.

Mas “Eu, Cata-vento” não é exatamente um voo solo. A canção é uma parceria com Paulo Rafael, da banda Ave Sangria, que faz um solo de guitarra na música. A parceria foi fortalecida justamente quando Juliano trabalhou no disco Vendavais. “Toda construção da minha carreira como músico foi pensar em parceria, mesmo no disco solo sempre estive rodeado de pessoas que considero essenciais para o trabalho, existia a necessidade do meu nome como assinatura de um projeto, algo que voltei a sentir recentemente. Mas sempre gostei desse compartilhamento. Esses quatro anos foram importantes porque amadureci muito. Principalmente isso de encontrar com as pessoas, firmar parceria e gravar discos de artistas. Assim também pude exercitar minhas ideias. Não foi um hiato da carreira solo, foi um preenchimento de coisas que eu tava precisando”, comenta.

A canção se encaixa como uma peça dentro do universo criado para “Sobre a Futilidade das coisas”. Segundo o músico pernambucano, o trabalho é sobre metáforas para o jeito que vivemos o mundo, assim como nossas relações afetivas e a nossa relação com os objetos. “A faixa ‘Eu, Cata-vento’ surgiu de um processo de identificação com o objeto catavento, que precisa do vento para girar, mas ao mesmo tempo ele empurra o vento e chega um ponto que você não sabe mais quem movimenta quem. Isso se mistura nessa coisa continua do violão, além de pensar a música como esse objeto em movimento”. O resultado é uma canção melódica, de tamanha potência poética, evocando imagens suspensas, com uma sonoridade de movimento em constância, tal qual o objeto que dá nome a ela. O nome do disco, Sobre a futilidade das coisas, é bem esse lugar onde entram as ambiguidades que a poética de Juliano sempre permitiu que existissem: pode ser lido tanto como uma análise sobre a objetificação do humano, ao mesmo tempo que se trata, também, de um estado de imaginar ou querer estar acima dessas futilidades.

Esse é o quarto trabalho solo do músico, que lançou “A Arte de Ser Invisível” (2013), “Pra saber ser nuvem de cimento quando o céu for de concreto” (2013) e Espaço-tempo (2016). O lançamento será modificado pelas dinâmicas da quarentena. Inicialmente teria um ou dois singles, mas o músico conta que vai elaborar uma estratégia de lançamento pensando mês a mês, sentindo um pouco as respostas do público. “Eu gostaria de lançar todas faixas e acho que vai ser isso”, comenta.


O trabalho é muito menos como o fim de um hiato, mas, na verdade, a culminação de um processo e do acúmulo de experiências desses quatro anos. “A ideia é de que você vai acumulando bagagem, o copo vai enchendo, as camadas vão se sobrepondo e chega uma hora que o negócio tem que brotar. Eu me sinto um pouco assim. Quando eu componho eu faço sem amarras, mas faço pra um tipo de artista específico: se Elba pede uma música, eu vou pensar na voz dela. Mas em algum momento eu penso em mim mesmo. Aí é quando o produtor, o compositor e o artista vão aparecendo”.


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