• Heloise Barreiro

Das raízes, o voo mais alto: Almério e Mariene de Castro indicados ao Grammy Latino com Acaso Casa


Foto: Renan Olivetti/Divulgação

É pelo acesso às lembranças de dois lares no interior do Nordeste que o cantor pernambucano Almério e a cantora baiana Mariene de Castro contraditoriamente botam os pés para fora de suas respectivas casas. Sem se desprender das origens, os dois concorrem ao 21º Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música de Raízes Em Língua Portuguesa” com o álbum Acaso Casa Ao Vivo, resultado de um espetáculo ao vivo apresentado no Rio de Janeiro; gravado e lançado pelo selo Biscoito Fino. A lista onde consta a indicação dos músicos foi divulgada nesta terça-feira (29) pela Academia Latina das Artes e Ciências da Gravação e o resultado final será divulgado no dia 19 de novembro.

Para Almério, natural do Agreste Pernambucano - nascido na cidade de Altinho e radicado em Caruaru -, a indicação é motivo de celebração e evidencia um “clarão de um novo momento” na cena musical. “Minha voz carrega essas e esses artistas, cantoras e cantores, compositoras e compositores, poetas e poetisas dessa nova movimentação que acontece e isso me move”, afirma o cantor e compositor. “A música de Pernambuco é muito poderosa e tem se tornado cada vez mais forte, principalmente quando dialoga com o interior”, completa.

O nome do projeto já dá pistas da essência do trabalho, que ocorreu de forma fluída e rápida, acionando memórias afetivas do passado em lares no interior do Nordeste. Mariene e Almério se encontraram pela primeira vez ao acaso em uma festa na casa de José Maurício Machline, idealizador do Prêmio da Música Brasileira, no Rio de Janeiro. Almério conta que, ao cantar na festa, Mariene se emocionou e o anfitrião brincou que os dois deveriam trabalhar juntos; a sugestão foi acatada imediatamente pela dupla.

Três dias depois, os dois já estavam reunidos organizando o repertório do espetáculo e um mês depois as apresentações viraram realidade: dois shows no Rio de Janeiro e dois em São Paulo. “O repertório todo foi para esse lugar do interior, então a gente colocou Acaso Casa, porque nosso encontro foi ao acaso e nós fomos para essa casa do interior”, explica. O cantor conta que o movimento de encontrar as semelhanças nas memórias foi espontâneo: “Algo de especial nos soprou, e a gente respeitou isso, quando nos demos conta tínhamos feito o caminho de volta pra casa”.

O disco conta com 18 faixas, entre elas, canções autorais de Almério e Mariene e releituras de clássicos do Nordeste como Respeita Januário, de Luiz Gonzaga; Espumas ao Vento, de Accioly Neto e Na Primeira Manhã, de Alceu Valença. A escolha dos artistas que são lembrados no álbum não é avulsa, mas representam a forma como essas canções atravessaram as memórias de Almério e Mariane; além de ter o intuito de valorizar e reverberar a força da música nordestina em uma nova roupagem. “Esses [artistas] nos mostraram o caminho, gritaram a força da nossa música para o mundo inteiro ouvir, quando fomos fazer o repertório que tinha como cerne voltar pra nossa casa no interior de Pernambuco e Bahia, foram eles que estavam no nosso imaginário e nos nossos corações”, afirma Almério.


Na categoria de “Melhor Álbum de Música de Raízes Em Língua Portuguesa”, Almério e Mariane estão lado a lado com Mariana Aydar, com Veia Nordestina; Camané & Mário Laginha, com Aqui está-se sossegado; Targino Gondim, com Targino sem Limites; Grupo Ofa, com Obatalá - Uma homenagem à Mãe Carmem e Margareth Menezes, com Autêntica. Já em outras categorias de canções em Língua Portuguesa, aparecem artistas como Céu, Letrux, Caetano Veloso e Emicida.

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