• Revista Gruvi

Canções do cotidiano, frevo e trap para encerrar fevereiro



Mixtape Léo da Bodega, Léo da Bodega (EP)


Mais uma vez ele vem compor a nossa lista de lançamento! O artista olindance, Léo da Bodega lançou sua primeira Mixtape atendendo às expectativas geradas desde a sua primeira aparição na cena musical pernambucana.


Com a carreira iniciada durante a pandemia, com o lançamento da canção “Lareira”, em abril de 2020, Léo da Bodega vem mostrando todo o seu talento trazendo elementos sonoros do trap e letras que relatam a sua vivência enquanto morador da cidade de Olinda. Com a Mixtape Léo da Bodega é possível notar um diferencial importante nas composições do artista. O cantor tem como base o Trap, mas não se prende ao que é comum e esperado do gênero musical, com canções de beats melódicos e letras que falam sobre vivências íntimas e amorosas, a ostentação, a grana e a virilidade se reconfiguram e são substituídas por anseios, fraquezas e sentimentos de um jovem artista pernambucano, Léo faz o “Trap de Olinda”, como o mesmo gosta de ressaltar.


As faixas “Os cara quer me apagar (prod. Jovem Ralph)”, “Eu sei que passa (prod. Jovem Ralph)”, “Nada penso feat AkZinho (prod. AkBeatmaker)” e “Revirando a casa (prod. AkBeatmaker)” são uma viagem ao interior com elementos sonoros potentes que nos fazem querer dançar, cantar e castelar junto com o artista. Vale a pena conferir a Mixtape, que está disponível no canal do YouTube de Léo da Bodega e nas plataformas de streaming.




Canções para quando não estivermos aqui - Hugo Linns (álbum)

Agora no universo dos versos cantados, o artista pernambucano Hugo Linns - já conhecido pelo seu estilo instrumental -, lança o álbum “Canções para quando não estivermos aqui”, com voz e letras marcantes sobre os fenômenos do cotidiano, amor e tempo. O experimento de Linns na fase de compositor foi um fruto do isolamento social, o que resultou em um trabalho simples, mas ao mesmo tempo denso e sincero. O álbum é o caminho perfeito para quem ainda não conhece o artista e quer dar uma olhada no trabalho!


Canções para quando não estivermos aqui conta com 11 faixas, incluindo o primeiro single "Um dia de ir" e a releitura de Lágrimas Negras, de autoria de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, que já foi regravada por artistas como Gal Costa, Otto, Nina Becker, Jorge Mautner. A produção musical foi assinada pelo próprio Hugo Linns e Ricardo Fraga e o disco foi distribuído pelo selo pernambucano Solto no Tempo.


Confira:


O Ano que Não Teve Carnaval - Vários artistas (coletânea)


2021 realmente não teve Carnaval, mas a ausência de festividades não significa o fim de toda a essência carnavalesca, e muito menos também indica um distanciamento dos artistas, que tem provado a cada dia que distância não necessariamente significa afastamento. E que forma melhor para celebrar os colegas artistas e festas de momo do que uma coletânea de frevo?


Em uma empreitada nostálgica e ao mesmo tempo inovadora, o artista pernambucano Juvenil Silva organizou a coletânea O Ano que Não Teve Carnaval, reunindo 13 artistas da cena musical contemporânea do estado. O trabalho foi lançado no dia 9 de fevereiro, Dia do Frevo, como um lembrete de que o frevo resiste e pulsa mais forte do que nunca dentro de nós.


Dos artistas participantes, dois apresentam músicas inéditas: Dunas do Barato, com Você pensa?, e Evandro Negro Bento, com Calote na vida. Além deles, também participaram: Isaar, Publius, Feiticeiro Julião, Juba, Graxa, Manuca Bandini, André Macambira, Ex-Exus, Julio Samico, Marcelo Cavalcante e o próprio Juvenil Silva. A capa da coletânea é criação do artista visual João Lin.

Confira:



Lamento de Força Travesti - Renna (clipe)


"O sonho dela é viver bem velha e cantar bem alto, fazendo surgir toda beleza que na vida impera no corpo marcado de uma travesti". Os versos são da catarinense radicada no Sertão pernambucano, Renna, junto à arcoverdense e amiga Benedita. A poesia dá o tom de Lamento de Força Travesti, primeiro videoclipe lançado pela multiartista. A música denuncia a dura realidade vivenciada por corpos trans no Brasil, ao mesmo tempo em que expõe o outro lado da moeda: a vida em meio às ambivalências da morte.


O canto potente de Renna recria o imaginário importado no Sertão e seus elementos. As rezadeiras, novenas, santos, benzedeiras compõem a paisagem do clipe como parte do todo - também enquadrado a esses corpos - e não o contrário. Nesse contexto, a canção sugere uma subversão da morte na vivência trans, muito bem aceita quando chegada de forma natural (como deve ser), e obviamente tão desprezada e sofrida quando provocada.


Numa intervenção artística cheia de poder, Renna canta, interpreta, declama. Gravado no Vale do Catimbau, o clipe ainda conta com as participações de Marli Grecchi, Irla Carrie, Samantha Fox e Vinn Amara, que juntas encenam uma versão ainda pouco vista do Sertão, mas que deixa o gosto de quero mais. “Amais umas às outras como eu vos amei”, até o dia do último amém.



Fogo Branco - Joana Francesa (clipe)


Em um movimento de tornar o lugar comum um espaço para transformações, a banda caruaruense Joana Francesa (formada por Amilcar Bezerra, Luiz Ribeiro, Gael Vila Nova, Gustavo Alonso, Elter Araújo e Artur Lima) lançou o clipe do single Fogo Branco, que trabalha a narrativa de uma cangaceira drag, interpretada pela personagem Milky. Na narrativa, ela seduz e mata os homens das veredas sertanejas.


A direção do clipe é assinada por Renand Zovka, a edição é de Twany Moura e a produção ficou com a Vertigo e o pessoal da Joana Francesa.



Por onde as casas andam em silêncio, Juliano Holanda (álbum)


A dura realidade da nova rotina causada pela pandemia e pelo isolamento social provocou um rebuliço em todos e influenciou os processos artísticos de diversos artistas, com o cantor e compositor Juliano Holanda não foi diferente. Movido por sentimentos controversos provocados pelo atual momento histórico, Juliano compôs oito canções autorais.


Produzido durante a quarentena, o disco conta com a direção musical de Juliano e de sua companheira Mery Lemos. Nos arranjos, a voz de Holanda dialoga apenas com um instrumento - o contrabaixo -, em alusão ao início de sua trajetória musical nos anos 1990 e 2000, quando começou a tocar com artistas da cena pernambucana. Após dedicar os últimos anos de sua carreira na produção de discos de companheiros e companheiras da música, o artista pernambucano traz um novo trabalho pessoal e íntimo. O disco, que foi lançado nesta sexta-feira (19), anseia uma leitura mais detalhada e atenta e por isso, em breve, publicaremos uma resenha sobre “Por onde as casas andam em silêncio”. Por enquanto, ouça a obra, que está disponível nas principais plataformas de streaming.




Deixa Girar - Brvno MC (single)


Das palavras de ordem que impulsionam o movimento natural do tempo, Brvno MC deu mais um voo livre nos trilhos do rap. O cantor e compositor de Igarassu lançou Deixa Girar, seu primeiro single de 2021, já disponível nas principais plataformas digitais.


A capa da música de cara chama a atenção. Disponibilizada no YouTube e construída sob intervenção de Fil, a ilustração remete a um visual urbano e marginal com as letras escritas em traços em pixação. A captação do som, por sua vez, foi feita pelo selo Olympos Records, enquanto o mix e a masterização são assinados por HZ.


Infelizmente há alguns dias que acordamos tristes / não exite / despeje todo o mal / baixo astral aqui já me basta o Covid. A música é um recado ao momento confuso e cheio de conflitos que vivemos, não só em relação à pandemia, mas a toda a construção política e social, que acaba sendo um agravante diante de outras dores tão sentidas no dia a dia.




Desande, HoodBob (clipe)


Para mostrar que o Trap de Pernambuco não tá pra brincadeira, temos mais um lançamento potente na nossa lista: na última segunda-feira (15), o cantor HoodBob lançou o clipe “Desande”!


A produção audiovisual, dirigida pela produtora HoodCave, faz referência ao ensaio fotográfico da recifense Bárbara Wagner e homenageia a praia de Brasília Teimosa, que é um símbolo de luta e resistência contra o mercado e a especulação imobiliária do Recife. Em suas produções, HoodBob costuma reverenciar a cultura pernambucana mesclando o Trap ao brega e em “Desande” isso fica evidente no figurino usado pelo trapper. A canção também traz elementos sonoros de ritmos regionais como o brega, e se mesclam com o eletrônico do Trap, resultando em um som envolvente e heterogêneo.


A faixa compõe a mixtape DJ Topó, que deve ser lançada no primeiro semestre deste ano. De acordo com o artista, a obra deve reunir canções que misturam o Trap com ritmos pernambucanos a fim de despertar uma memória afetiva.



RealLivre PicaPau - Reverso (clipe)


Misturando o beat do funk com o trap, o músico olindense RealLivre Picapau traz os primeiros versos e sons desde que mudou de assinatura. Antes como Gledson Picapau, o cantor já fazia seu som tratando de rótulos e experiências de um jovem negro na periferia. Em Reverso, seu novo trabalho e estreia de nova assinatura, RealLivre canta para sua mãe uma homenagem e um pedido de desculpas: “Ei mãe me perdoe vá, sério de coração, eu tentei ser bonzinho e esses comédias aí deixou não”.


O clipe da canção foca em mostrar o artista performando seus versos. A produção é da If Films com direção de ítalo Ferreira, captação ítalo Ferreira e Dudu Gomes, edição e finalização.



Siba - Fazendo o Ar Derreter (clipe)


“Era pra ser uma música para o "carnaval do ano que vem", que eu comecei a imaginar no de 2020, ouvindo Estação da Luz de Alceu, na estrada pra Natal RN”, explica Siba. Numa levada que poderia ser carnavalesca em um ano sem carnaval, em Fazendo o Ar Derreter, Siba canta e celebra o ciclo solar. Junto com o embalo do grupo Orquestra de Bolso, o pernambucano constrói um série de rimas engenhosas, como de costume das suas obras, desta vez em uma espécie de celebração quase irônica desse “descarnaval”.


“Foi chegando perto e a gente foi finalizando tudo em cima da hora, e se não fosse a turma que me ‘arrudêia’, vocês não teriam nem sequer essa musiquinha de Descarnaval, essa mesma que não mudou a vida de ninguém”. No clipe produzido por José de Holanda, Marcelo Almeida (Subrín) e Siba, os músicos tocam a música num cenário totalmente homemade, com piscina de plástico e mangueira num quintal, bem com a cara do verão de tempos pandêmicos.




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