• Revista Gruvi

Amor, maternidade e instrumental: confira os lançamentos dos últimos quinze dias


Capa: Clara Moreira

Meu filho meu, de Alessandra Leão (Single)


Os sintetizadores que abrem a canção anunciam que a nova música de Alessandra Leão difere de seu último trabalho, o cultuado Macumbas e Catimbós (2019). Logo, uma cuíca se mistura às batidas eletrônicas e à voz da cantora, que nos apresenta a uma poesia impactante sobre amor, maternidade e muito mais.


A música contou com arranjos de Kiko Dinucci (synth e sampler), Caê Rolfsen (sintetizadores, organelle e programações) e da própria Alessandra. O single ainda conta com uma arte de capa potente assinada pela artista plástica Clara Moreira.



Lado Bê, de Mayara Pera (EP)


O EP ‘Lado Bê’, como o próprio nome sugere, traz à superfície uma face inusitada e até então pouco conhecida da cantora e compositora recifense Mayara Pera. A artista parece ter tirado férias das canções com temas mais duros e notas de rock para abraçar a simplicidade do amor e afeto, criando uma atmosfera de respiro e calmaria em tempos tão dolorosos.


Durante o isolamento social, em um apartamento na Zona Oeste do Recife, enquanto fazia o malabarismo de produzir e cuidar em tempo integral dos dois filhos, Mayara gravou e produziu sozinha em seu home studio as cinco músicas que compõem o trabalho: Achados e Perdidos, O Outro Lado da História, De Manhã, Bordado de Luz e Cantiga pra Nando e Preta (Faixa Bônus).


“Você é o que me faltou a vida inteira, e todo dia eu penso que é sexta-feira se eu tiver com você”. O verso da canção Bordado de Luz sintetiza a beleza singela do EP “Lado Bê”, indispensável aos que precisam dar uma pausa e relembrar que somos atravessados por amor todos os dias.


Confira todas as canções:




Silêncio, de Valfrido Santiago (EP)


Natural da Mata Norte, na cidade Goiana, Valfrido Santiago traçou um projeto pessoal, em 2015, quando decidiu lançar cinco discos até completar seus 60 anos. Dentro dessa missão, que virou promessa de vida, o músico lança, nesta sexta-feira (18), o EP “Silêncio”, seu segundo trabalho solo.

“Existe um mundo fechado em cada silêncio”, canta o músico na faixa homônima que abre o EP. Segundo o artista, o trabalho surgiu organicamente e se construiu de forma intuitiva durante a quarentena. “As músicas foram se juntando sem grandes pretensões. Foi então que percebi uma narrativa de estar só, no silêncio de você consigo mesmo”, explica o artista. “Eu não quis fazer um EP falando do isolamento na pandemia, mas curiosamente, as canções falam do processo de estar separado dos outros”, pontua.

Das cinco canções do álbum, apenas Solidão foi composta durante a pandemia, a partir de um poema que o poeta Giuseppe Macena fez para um grilo que entrou no estúdio caseiro de Valfrido. As outras canções já fazem parte do repertório do artista e seus variados parceiros - “Silêncio” com Vidal de Sousa; “Farei” com Ademauro Coutinho; “Se Ele Soubesse” com Julia Jota; e “Eu Vou Abrir Meu Coração” com Philippe Wollney.


Ouça o EP completo:



Alma Dourada, de Call Communication (clipe)


Mostrando que a Zona da Mata está com tudo nas produções musicais trouxemos mais um lançamento de artistas da região. O grupo de rap Call Communication lançou, nesta sexta-feira (18), o clipe da música Alma Dourada.


Com uma bela produção audiovisual, composta por imagens dos integrantes do grupo e com referências do artesanato e brincantes da Zona da Mata, o clipe carrega uma atmosfera afrontosa e incitante. Com o beat de JovemOtto e letra de YungBoo, 1Louco e $NCA, a canção é um trap que envolve e vicia.


Alma Dourada é o nono clipe lançado pelo grupo em 2020 e em 2021 eles prometem roubar a cena e lançar muita coisa boa, vale a pena acompanhar o trabalho e fortalecer o rap da Zona da Mata!




Eu quero que ninguém me ache, Coletivo Canela (álbum)


Reunindo nomes como Zuza, Renan Castro, Alexandre Zezo e Thiko Duarte nos vocais, BiliDrums na bateria, Rodrigo Félix na percussão e Samico tocando guitarra, baixo e teclados, o Coletivo Canela lançou, nesta sexta-feira (18), o disco Eu quero que ninguém me ache.


Em um prisma de diversidade de gêneros da cultura popular, entre eles samba, cumbia e autêntica música popular pernambucana, o disco traz nove faixas autorais. "Esse trabalho vem trazer um recorte de como enxergamos a vida e pensamos o mundo, através de uma poesia simples e de fácil assimilação", contou Renan Castro, cantor e compositor do Coletivo.


O álbum estreia pelo selo pernambucano Solto no Tempo e conta com a produção musical assinada por Samico, que destaca o trabalho coletivo. "A energia coletiva desse trabalho, da potência da colaboração, onde todos se envolveram por meio dessa força social", contou.


Ouça todas as faixas do disco:



Medo do Medo, de Okado do Canal (clipe)


Jenifer Cilene, Kauã Rozário, Kauan Peixoto, Kauê Ribeiro, Ketellen Umbelino, Ágatha Vitória, Anna Carolina, João Pedro, Pedro Gonzaga e Miguel. Em seu novo clipe, Okado do Canal faz questão de dizer todos esses nomes.


Quase como um recorte dos noticiários anunciando mais um caso de violência policial e racismo no Brasil, o rapper traz em seu clipe Medo do Medo um som inspirado em vivências pessoais e coletivas. "Medo do Medo tem inspirações em casos reais, acima de tudo. Principalmente nos que aconteceram comigo, de abordagens da polícia, de pessoas atravessando a rua com medo de mim pq eu tenho o estereótipo de bandido e eu também sentindo medo de que alguém gritar "pega ladrão" e eu me f* por nada", denuncia Okado.


Escrito e dirigido por Okado, a letra e o clipe da canção trazem para o centro do debate o abuso do poder policial. O som conta com produção do DJ Phino.


Assista:



Vinícius Sarmento, de Vinícius Sarmento (álbum)


O virtuosismo do violonista recifense Vinícius Sarmento é registrado em álbum pela primeira vez. O músico, que já acompanhou nomes como Yamandu Costa (que ganha uma homenagem em Choro pra Yamandu), Dominguinhos, Lula Queiroga e Zé Manoel, lança o seu primeiro álbum; resultado de um trabalho bonito e executado com maestria, o disco traz releituras de artistas populares como Caetano Veloso e Paulinho da Viola. e de referências musicais no trabalho do artista


Entre as dez faixas que compõem o disco, Canção pra Helena é a única autoral. A música faz parte da trilha sonora da série “Fim do Mundo”, do cineasta pernambucano Hilton Lacerda.


Ouça:





Resista, Helton e Vertin (Clipe)


Mistura cosmopolita entre ritmos, vozes e sensações. Assim foi lançado, nesta sexta-feira, o clipe de Resista, faixa de abertura de Artista, álbum em conjunto dos irmãos Helton e Vertin. A canção, construída no início da pandemia da Covid-19, traz aos ouvidos e aos olhos as angústias viris de um 2020 trágico, e reflexões sobre as comicidades trágicas de todo um século, como a opressão e a luta por sobrevivência, que nos força a encontrar na esperança o ponto chave por dias brandos e de menos dor.


O trajeto do clipe conta com uma partida de futebol, em campo de areia. Os quiques acelerados da bola são responsáveis por dar o pontapé aos caminhos de resistência verbalizados pelos irmãos em Resista. “Não é preciso morrer para renascer/Mas isso não pode fazer com que você desista/resista".


O single também reverbera questões políticas, sociais e de classe, como destacado por Vertin. "Resista é um mantra da resistência do trabalhador, do autônomo e do artista neste mundo”. O artista, inclusive, é nascido em Juazeiro-BA, mas radicado em Arcoverde, terra natal de seu irmão, Helton, que diz que "a faixa expõe a miséria e as desigualdades do mundo sem perder a fé em tempos melhores, resistindo até o último suspiro”.


A gravação do clipe aconteceu no home studio do duo, em Buíque, no Agreste pernambucano, com passagens por Recife, Aldeia dos Camarás, Vale do Catimbau e São Paulo. Já a completude de Artista vai contar com 11 faixas, sendo um trabalho inteiramente autoral.



Nevroses - Renê Freire (álbum)


Das ruínas de um instrumento clássico aos ruídos correlatos que nos transportam ao início do século XXI, o pianista caruaruense, Renê Freire deu vida a Nevroses, disco gravado em 2019 por Thelmo Cristovam e lançado nesta semana pelo selo Música Insólita. Tão singular quanto a sonoridade, o álbum teve como inspiração um incêndio acidental que acometeu o quarto do pianista, quando teve o piano queimado.


O artista utilizou o instrumento danificado para realizar uma improvisação direta, que deu cara ao álbum. Renê acredita que a intervenção incorporada no disco se assemelha à concepção de piano preparado, desenvolvida pelo compositor estadunidense John Cage, na década de 1940, que utilizava objetos como parafusos e borrachas entre as cordas do piano, com o intuito de desconstruir linguagens artísticas pré-estabelecidas e atingir sonoridades antes desconhecidas.


O trabalho, masterizado por Fabiano Pimenta, é mais uma cartada de Renê Freire para o lançamento de seu primeiro disco solo, “Átrio”, em processo de gravação, no estúdio da Universidade Federal de Pernambuco.






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