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A maior lista da história: confira os últimos lançamentos de abril

A Charada Sincopada - Nelson Brederode (EP)


O cavaquinho é o protagonista no novo EP do músico pernambucano Nelson Brederode. “A Charada Sincopada”, como o nome sugere, promove uma síncope; um certo deslocamento ao quebrar com o conceito de tradição comumente atrelado ao instrumento.

Com cinco faixas que passeiam pelo pagode, tecnobrega, cumbia e rock, o trabalho foi produzido por Rogério Samico, mixado e masterizado por Bruno Giogi e lançado pelo selo Solto no Tempo.

Além da melodia do cavaquinho, destaca-se a composição e montagem das canções, com ruídos e texturas variadas que acabam dando tom à obra e contribuindo com a narrativa. Na primeira música, “Katchup”, é possível escutar uma leve vibração que se assemelha a um ronronar felino; já na segunda faixa “O Tesouro do Gato”, além de os instrumentos, foi adicionado um miado de gato. Ao final da terceira canção, “Virilha Exposta”, é possível ouvir palmas e dramáticos arranjos ruidosos que dão tom de espetáculo à faixa.

O EP é fruto de intensa pesquisa musical conduzida ao longo dos 18 anos de carreira de Nelson Brederode, o que fica evidente na complexa composição das canções. Vale destacar a última faixa, “Caquiado”, onde é feita uma costura impecável dos sons, finalizando o trabalho com maestria. A experimentação sonora reflete o aprendizado do músico nos anos de atuação na Rua do Absurdo.

Além do álbum, Nelson lança na mesma ocasião o videoclipe da música “O Tesouro do Gato”. A Charada Sincopada contou com o incentivo da Lei Aldir Blanc.

Confira:



Esparsa - Marcelo Cavalcante (single)

“Esparsa” é o single que abre o projeto solo do músico pernambucano Marcelo Cavalcante, integrante da banda Avoada. Em uma composição que lembra muito as canções do paraibano Zé Ramalho, a música traz influências setentistas do nordeste brasileiro, mpb, folk e samba.

O trabalho foi produzido durante a pandemia, tornando-se mais um resultado de incertezas e dores, trazendo questionamentos acerca do futuro do país, negacionismo e redes sociais. O single, que tem parceria com Juliano Holanda, faz parte do EP "Inprodutivo", que será lançado em breve.

Confira:


Oásis - Icaro Água (single)


O músico Ícaro Água lança “Oásis”, novo single do projeto “Água”. Autointitulado como um “poeta cantor do sertão novo do pós-Nordeste”, o artista mais uma vez mergulha nas subjetividades e pluralidades sertanejas, tocando questões como vastidão cultural e a importância de um núcleo de união como resistência.


A alma precisa beber água

Do espírito cresce a luta

Nós vamos voltar pra Arcoverde

Quem se ajuda não morre de sede


Quem assina o arranjo, programações, guitarra e baixo do trabalho é Lucas Crasto; já a mixagem e masterização ficou a cargo de Alberto Monteiro e a produção com Epahey Produções Culturais.


Dá uma conferida na música:



Jugular - GUMA (single)


Há três anos, a banda GUMA chamou muita atenção com seu disco de estreia, Cais. Pode-se dizer até que virou uma espécie de queridinha do circuito independente de Recife. Preparando terreno para seus novos horizontes e sons, o grupo formado pelos músicos Katarina Nápoles (voz), Carlos Filizola (guitarra) e Caio Wallerstein (bateria) lança o single de Jugular.


E o single traz tudo que fez de Cais um disco excelente: um gancho muito pop pros refrões, aliado a uma verniz de mormaço tropical e um reverb da psicodelia. Jugular mostra um ótimo caminho de experimentações a ser seguido pela banda GUMA, de pop e R&B, passando pela percussão e letras que engatam com potência seus versos.


Confira o single:




Minimalize Já! - Sargaço Nightclub (single)


Já está no ar a segunda etapa do “C’MON - Construção Musical On-line”, projeto do duo pernambucano Sargaço Nightclub pensado para aproximar o público do processo de composição da banda. O single “Minimalize Já!” é o fruto de um brainstorm coletivo desenvolvido durante a primeira etapa do projeto.


Para participar da composição, os interessados se inscreveram e sugeriram ideias para a criação de uma nova música do grupo. Seis textos foram selecionados para dar forma à canção, que teve a letra costurada por Marcelo Rêgo e a melodia de Sofia França.


Em Pernambuco, as colaborações são de Carina Mayara e de integrantes das bandas Lady Newton, Conspiração Alienígena e Travadores. Do Sul e Sudeste participaram o gaúcho Carlos Negrito e o poeta Ricardo Guima, de Belo Horizonte. Ainda, o arranjo contou com a participação especial do violoncelista Gabriel Conolly, que reside atualmente em Lisboa.


A iniciativa foi viabilizada com recurso da Lei Aldir Blanc da Secretaria de Cultura de Pernambuco por meio de edital da Secretaria de Cultura de Pernambuco.



Feito raio - Joana Terra (álbum)

A cantora e compositora baiana Joana Terra lança seu segundo disco recheado de colaborações pernambucanas. “Feito Raio” é um caminho para o autoconhecimento, o retrato de uma jornada de desbravar a si mesma e ao mundo através de reflexões existenciais e espirituais. Com oito faixas, o álbum tem uma influência lírica forte e conta com os arranjos musicais de Juliano Holanda.


Todas as canções do disco são de autoria de Joana com artistas pernambucanos: PC Silva, Lucas Torres, Juliano Holanda - diretor artístico do disco - e Ezter Liu - uma das principais parceiras de composição da baiana. Inclusive, quatro das oito canções do álbum foram feitas a partir de poesias de Liu, escritora e poeta de Carpina, em Pernambuco.

Além disso, o trabalho também conta com participações de Almério e Ceumar. “Feito Raio"é lançado pelo selo Dubas, com realização da Anilina Produções, produtora Pernambucana. Nesse sentido, pode se dizer que o álbum é uma celebração ao elo artístico da compositora com o estado. O projeto contou com apoio financeiro do Estado da Bahia através da Lei Aldir Blanc.

Ouça o álbum completo:



Mapa Astral - Uana Mahin (clipe)


Ela está de volta!

Dois anos após a estreia do disco “Pantera”, a cantora pernambucana Uana Mahin lançou o single “Mapa Astral”. Unindo Pop e R&B, a canção traz uma letra provocativa e sensual, com um beat envolvente produzido por Marley no Beat. No clipe, Uana aparece imponente e sedutora, como uma boa ariana que é.


A produção marca a nova era da artista, que em seu último trabalho apresentou uma proposta diferente da atual, com canções mais voltadas para a ancestralidade. Em Mapa Astral, Uana decide explorar suas vivências românticas e o desejo.


Mapa Astral é a música perfeita pra você mandar para o contatinho que você pega, mas não se apega, sabe? Manda o link pra ele ou ela e mostra que você é intenso e direto!



CRECRA - Hanni Palecter (álbum)


CRECA, segundo álbum do misterioso projeto Hanni Palecter, expõe em seu nome e sua capa a síntese do seu som: uma ferida não fechada. Feito com as entranhas, distorções e imersão em narrativas de monstruosidades, Hanni Palecter é um trabalho barulhento e brutal. A mistura de gêneros como rap experimental, rock, música eletrônica, lo-fi, noise e pop, é capaz de construir uma sonoridade instigante e experimental.


A proposta sonora distópica, nasceu em meio a neurose do mundo pandêmico. Cantando em língua própria, expondo anseios tão humanos e um universo caótico. Caos criados por cada vez mais dicotomias, polarizações e discursos com emoções confusas. A atual cultura do cancelamento tem polarizado cada vez mais nossa civilidade e nossas fontes de informações.


CRECA soa bastante distinto na paisagem sonora de Recife. E por isso merece atenção e ser escutado. O projeto é muito promissor e o disco expõe isso em execução e conceito. Ao longo dos 7 temas sonoros curtos, que desta vez partem de samples e synths e beiram a psicodelia e o metal, Hanni constrói um disco baseado em fraturas. Feridas abertas.


Confira o disco:



Pássaro Blue - Samico (álbum)


Após 12 anos tocando baixo na banda Play Damião, Samico lançou em 2019 um dos projetos solos mais interessantes para cena MPB de pernambuco. Dois anos depois da estreia solo, o multi-instrumentista retorna com Pássaro Blue, um projeto extremamente maduro e consolidado, que conta com participações especiais de Illy e Bárbara Eugênia.


Pássaro Blue é um disco que se localiza nessa leva que mistura a MPB com arranjos pop e folk. Passeando por tons minimalistas e suaves, com melodias muito bonitas e participações que adicionam muitas nuances ao projeto. Com destaque para a canção Paz, que conta com a participação de Illy.


O álbum também terá uma versão álbum visual, com direção de Tágory Nascimento e fotografia de Jão Vicente, além de uma intervenção artística de Camila Van Der Linden, que assina a concepção visual do trabalho de exposição.


Confira o disco:



Iso.lados - Sam Silva (EP)


Influenciada diretamente pela música psicodélica e instrumental lo-fi, Sam Silva lança seu primeiro EP. Com trabalho já conhecido como produtora, instrumentista e compositora, Sam Silva parte do EP Iso.Lados para construir um álbum visual que mistura um clima íntimo a questões contemporâneas de tempos pandêmicos. O projeto teve incentivo pela Lei Aldir Blanc e está disponível nas principais plataformas digitais de streaming.


Talvez uma das melhores utilizações do autotune recentemente esteja nas canções do EP de Sam. Em uma atmosfera e clima muito suave, quase como um som feito a meia luz em um quarto, Iso.Lados carrega grandes participações de vozes da música pernambucana. Entre elas, em Liberdade, com recitação por Gabi da Pele Preta; o cantor e músico Jonatas Onofre, para a música Espelhos; além do encerramento com Madrugadas, canção feita ao lado de Juliano Holanda. Toda potencial de Sam como produtora está posta nesse EP, que vale muito a pena ser ouvido.


Confira o EP:



Canto da Sereia - Léo da Bodega (clipe)


Como não trabalhamos com imparcialidade nesse site, então vamos direto ao ponto: mais uma vez, Léo da Bodega entrega um som foda com um beat viciante e uma letra memorável. A cada lançamento do artista olindense é uma surpresa boa e a prova de que ele está evoluindo cada vez mais.


Pouco mais de dois meses da estreia da sua primeira mixtape, Léo da Bodega surge com um single que segue apresentando as referências sonoras que marcam a sua carreira: hip hop, rap, trap, disco e funk. Porém, com elementos únicos que tornam a sua música singular, como o próprio artista gosta de afirmar é o “trap olindense”.


Em sereia, a cidade de Olinda está ainda mais representada no clipe. Com cenas gravadas nas ruas históricas da cidade e na praia, a produção audiovisual é de uma qualidade impressionante e foi dirigida e executada pela produtora Alice Barreto.


Para entender melhor porque tantos elogios ao trabalho, confira o clipe:



Riáh - No Sítio Cajueiro (videoclipe-curta)

Em uma empreitada musical e audiovisual, a cantora caruaruense Riah lança o curta-clipe “No Sítio Cajueiro”, uma ode às suas raízes, assim como foi o single “Obá Xangô” e como deverá ser o seu primeiro disco, “Retinta”.


Gravado no Vale do Catimbau, o trabalho aciona um olhar poético e afetivo sobre as origens da cantora através de elementos imagéticos revisitados no Sítio Cajueiro, em Buíque, local onde seus avós moravam.

Dirigido por Riah e Lula Carneiro, o curta-clipe transporta quem assiste para a simplicidade e resistência da vida no Sertão. A canção que dá vida ao curta-clipe, de autoria da própria artista, se divide em trechos cantado e recitado, uma homenagem às sonoridades nordestinas e à poesia matuta.

Confira:



Pixação Revolucionária - Mano Sid (clipe)


Produzido como parte do projeto Conexão Condor, que consiste em utilizar as mídias sociais, para viabilizar voz, diálogos, Mano Sid lança o disco de Pixação Revolucionária. Produzida por Chant, do projeto Condor, a música narra a rotina e cenários comuns da cultura do graffiti e do pixo.


Desde da paisagem noturna, do risco de rodar e o rolê com os amigos pós-trampo, Pixação Revolucionária é um retrato muito bem construído de um dos principais lances da cultura periférica e hip hop. O clipe traz muitas imagens de trampos e de pixadores em atividade nas periferias da RMR.


Confira:


Franca Damata & Ceklus - Pós-Moderno (Clipe)


A canção Pós-Moderno, segunda faixa do ep “Ególatra”, lançado em fevereiro, pelo artista Franca Damata, ganhou um clipe. Ególatra traz narrativas potentes sobre um ego emocionado e conflitante e o clipe de Pós-Moderno reforça ainda mais as questões presentes na canção ao colocar os artistas em uma posição de réplica e confrontação.


Em parceria com Ceklus, a canção traz, em sua sonoridade, uma mistura entre trap e rap de mensagem, com uma letra contestadora, assim como as outras canções que compõem o ep.


Confira o clipe:



Estilo Ladrão - Shevchenko e Elloco, Okado do Canal (clipe)


Numa mistura gostosa entre o rap e o bregafunk, Shevchenko e Elloco deram vida a "Estilo Ladrão", clipe lançado em parceria com o multiartista Okado do Canal. O clipe é ambientado na própria favela do Canal, no Arruda, Zona Norte do Recife, onde o trio nasceu, cresceu e vive até hoje.


Okado, que também dirige o clipe, incorpora suas bases do universo Hip-Hop nos segmentos visual e sonoro. A trajetória artística iniciada nas batalhas de break não ficou esquecida e a intervenção também compõe o cenário da produção. Além de Okado, a direção e roteiro do clipe recebem assinatura de Cidney Fagner. A produção foi feita por Rodrigo Ramos, enquanto a captação ficou a cargo de Cecília da Fonte, Gustavo Pessoa, Natália Correa e Pedro Sotero.


Nas redes sociais, Shevchenko contou que a inspiração para a música foi a própria favela do Canal, em contraponto aos estigmas lançados sobre os corpos periféricos, e uma exaltação aos dribles que os moradores frequentemente dão na vida.


"A ideia foi retratar um pouco dessa estética, do Estilo Ladrão, que é sempre retratada dessa forma, mesmo sem ter qualquer envolvimento com o crime. Pela nossa aparência, pela forma de falar e, principalmente, pelo jeito da gente se vestir", explica.


"Esse nosso estilo nunca é retratado como trabalhadores que somos, mas, sim, como marginais. Existe uma crítica contra esse estigma, mas o foco da música é sobre a alegria do final de semana na favela. É a confraternização daqueles que possuem os estereótipos de ladrão. A festa dos maloqueiro".




Na Beira do Caos - Banda Howay (clipe)


A composição do Ska com elementos caribenhos e do Mangue Style entram em cena na mais nova produção da Banda Howay. O grupo reviveu de forma visual o som de Na beira do caos, música lançada em 2020, mas que ganhou clipe no último dia 13 de abril deste ano.


O agito, ritmo frenético e letra que mergulha na insatisfação das lutas de classes se fazem presentes no trabalho, fazendo jus à música de protesto com influências do Ska jamaicano.


"Pra controlar seus sonhos eles vão se esforçar. Apontar um inimigo pra solucionar, impor uma verdade para te cegar. Todo seu esforço na beira do caos. No mundo de quem só pondera o lucro, que vai te isolar, que vai te banindo aos poucos. Reagiremos a toda servidão. Quem dirá o que merecemos?"


A banda é composta por Guto Quijano (voz e guitarra), Sávio Ferraz (baixo), Felipe Gomes (bateria), Pedro Moraes (voz e trompete) e Mário Menezes (voz e trombone).



Tentando me encontrar - Travessa Sul (clipe)


A música inspira raízes necessárias que muitas vezes brotam no dizer em forma de protesto. Depois de mais de quatro meses sem aparecer na pista, o grupo de rap Travessa Sul ganhou novos voos com o lançamento de "Tentando me Encontrar". O clipe é um manifesto contra as promessas não cumpridas do Poder Público a parte dos moradores do bairro dos Coelhos.


Nos versos, o grupo revisita o dia do maior incêndio que já aconteceu na comunidade do Campinho - uma das subdivisões da favela -, em 2013, quando cerca de 103 famílias foram afetadas em meio às chamas que atingiram as moradias improvisadas, escancarando o alto nível de precarização. A tragédia permanece viva na memória do bairro e dos moradores, que seguem na luta por moradia digna.


"O tempo não para a favela em chamas. Tô entre vielas no meio da lama. Governo promete uma casa bacana, fdp a favela engana. Promessas, promessas, sempre a mesma merda", diz um trecho da rima.


O clipe foi dirigido pela rapper Letícia Santos, enquanto a captação do som, mixagem e masterização tem a assinatura de Rudah. Grant, Lereba e Jadinho, moradores dos Coelhos, lideram os vocais.


Na descrição do vídeo, a Travessa Sul dedica "Tentando me Encontrar" a "todas as favelas do Brasil que sofreram essa catástrofe, negligenciada pelo governo que impõe desprezo aos que mais precisam, lucrando com a especulação imobiliária".



No Future - ZETO (álbum)


No Future é uma obra que traz diversos elementos do Hip Hop misturados com o Pop. O trap e o drill estão bem representados nas sete canções que compõem o trabalho, tanto na sonoridade dos beats quanto nas letras das músicas.


Por outro lado, nas primeiras composições, o álbum se mostra um pouco homogêneo, com letras que exaltam companheirismo e lealdade. O álbum fica particularmente mais interessante na segunda metade, a partir da faixa "Brincar com fogo", quando o artista traz um som mais dançante, que, apesar de não destoar inteiramente das demais canções, traz uma experimento sonoro diferente ao conjunto do trabalho.


Em "Não tenho tempo pra chorar", o artista se debruça sobre as correrias da vida, assim como as dificuldades que cercam a construção de cada sonho. A música traz de volta o beat lento, mais intimista e reflexivo sobre a valia de seguir tentando e não desistir no meio do caminho.

"Vou tentar e talvez perder tudo. Mergulho cada vez mais fundo, eu viveria sozinho fugindo das coisas que eu sinto. Então, eu deixo queimar".


Destaque para a faixa bônus do disco, "Amo te ver rebolar". Nela, é possível sentir um flow envolvente que encaixa perfeitamente com o beat. As subidas de tom também são diferenciais, enquanto Zeto retoma os diálogos traçados nas primeiras canções do trabalho, misturando flertes de conquista, paixão e companheirismo. Confira:



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