• Revista Gruvi

50 álbuns pernambucanos da década [parte 1]

Atualizado: 24 de Dez de 2020




Dezembro de 2020 marca o fim de mais uma década. Há quem diga que ela terminou no final do ano passado, mas como a Gruvi nasceu nesse ano, só temos essa oportunidade para escolher os álbuns pernambucanos mais marcantes da década. Para isso, convidamos um time de pessoas ligadas em música, que se juntaram a nossa equipe na missão de elaborar essa lista. Funcionou assim: cada participante escolheu cinco álbuns lançados entre janeiro de 2011 e dezembro de 2020 e os organizou do quinto ao primeiro lugar. Então, atribuímos uma pontuação para cada colocação (5 pontos pro primeiro de cada lista, 4 pro segundo, 3 pro terceiro e por aí vai). Depois, somamos a pontuação obtida por cada álbum mencionado e dividimos os 50 álbuns mencionados em quatro partes. A primeira vai ao ar hoje (21), a segunda na véspera de natal (24), a terceira no dia 28 e a última, com os cinco discos que mais pontuaram na votação, no último dia do ano (31). Entendemos que muitos discos ficaram de fora, mas a ideia principal da lista é relembrar alguns dos trabalhos mais legais, de modo a revisitar essas obras e mesmo apresentá-las a quem ainda não as conhece. Bora nessa?!


EU NÃO SOU AFROFUTURISTA - Biarritzzz (2020)

EU NÃO SOU AFROFUTURISTA é um álbum visual "web-specific", criado para ser consumido como uma experiência interativa feita por meio da internet. O trabalho mescla influências pop, com uma sonoridade eletrônica e uma linguagem imagética própria das redes. A artista recusa, já no título do álbum, o rótulo manjado de "afrofuturista", incitando um debate sobre questões identitárias no universo artístico. O álbum conta com participações de artistas como Edgar, Deize Tigrona, Anti Ribeiro e Denise Nuvem.


Aparición - Jonatas Onofre (2017)

O cantor, compositor e instrumentista Jonatas Onofre lançou, em 2017, o álbum Aparición. Feito em home studio, o disco traz paisagens sonoras e temáticas que dialogam com o surrealismo e apresentam um artista maduro e, ao mesmo tempo, aberto a experimentalismos. Nas nove faixas, Jonatas canta e toca todos os instrumentos.





SIGNOSER - Lucas Torres (2018)

É de um mergulho existencialista que nasce ‘SIGNOSER’, disco de estreia do cantor pernambucano Lucas Torres. O trabalho foi eleito Melhor Álbum Pop pelo 10º Prêmio da Música de Pernambuco (2019), contando com colagens sonoras experimentais que abordam a subjetividade da existência, permeada por dúvidas e paixões. As canções contam com participações de nomes como Sam Silva e Almério.

Lucas Torres tem cultivado uma trajetória de mais de dez anos na Zona da Mata Norte de Pernambuco, destacando-se na cena musical contemporânea do estado por seu estilo experimental e performance, tanto em vídeos como no palco.



Vendavais - Ave Sangria (2019)

Após 45 anos, Ave Sangria retornou com o segundo álbum da banda: Vendavais. Nas palavras dos próprios integrantes do grupo, é como se esse hiato temporal nunca existisse. As canções foram compostas entre 1969 e 1974, com exceção da instrumental Em Órbita. Por isso, a essência da banda parece ser conservada e ao mesmo tempo atualizada, carregando traços da época setentista que são nítidos e também novas experimentações, sempre tendo o rock como base e flertando com a música popular nordestina.




Chão - Lenine (2011)

Chão é o sétimo álbum de estúdio de Lenine, produzido com seu filho Bruno Giorgi. O trabalho conta com composições de Lula Queiroga, Carlos Rennó e Ivan Santos. É um disco atravessado por sensibilidades, em que cada canção serve de degrau para a próxima. As músicas parecem um conjunto de crônicas, uma vez que versam sobre o cotidiano e isso extravasa até para os efeitos sonoros. Em Se Não For Amor Eu Cegue conseguimos ouvir a respiração da artista visual Sofia Cesar e os batimentos cardíacos do filho de Lenine. Já Amor É Pra Quem Ama traz o canto espontâneo dos pássaros e Envergo Mas Não Quebro uma motosserra. A produção rendeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria “Melhor Engenharia de Som”.




Musa do Calypso - Musa do Calypso (2014)

Musa do Calypso volume 02 é o segundo álbum gravado pela banda Musa. Lançado em 2014, quando ainda tinha em sua composição vocal a parceria entre Priscila Senna e Alisson Marx, as 10 faixas que compõem a produção passam por caminhos que refletem uma paisagem sonora que dialoga diretamente com a composição cultural periférica, numa versão mais amadurecida do brega romântico encenado pela banda.



Assim como o volume 1, o disco coloca as relações amorosas dentro de suas contradições, racionalidade e aflições no cerne da composição musical, já evidenciando os traços da reinvenção da sofrência romântica, junto a mistura de representações do amor, ora condicional, ora passional e submisso, sempre justificado na imagem feminina protagonizada por Priscila Senna. Ouça o álbum na íntegra.


Computador de Ciço - Radiola Serra Alta (2014)

Da mistura potente entre a tradição da cultura popular e o eletrônico das novas tecnologias nasceu o álbum Computador de Ciço, da dupla Radiola Serra Alta. Naturais do Sertão do Pajeú os artistas sintetizam em seu trabalho de estreia os ritmos mais tradicionais da cultura pernambucana, como o coco de roda e o forró, com ritmos e batidas mais modernas do dub, o resultado da mistura é o que a dupla denomina de “eletrococo moderno”. Energizante, pulsante e dançante são palavras que explicam bem as sensações despertadas pelos sons presentes em Computador de Ciço!



rua i - Torre (2018)

Divagando entre camadas de texturas sonoras e construções de imagens desbotadas e melancólicas, o disco de estreia do quarteto chegou de surpresa e se tornou um dos sons mais interessantes pra nova música alternativa da cidade. Foi como um passeio de carro em uma vista noturna e introspectiva no Recife urbano.


Ousar experimentar e embarcar em uma poética própria, com muita autoria não é pra qualquer disco de estreia. Ainda mais de forma tão coesa. Inclusive pela qualidade de algumas referências que venham a mente como OK Computer (199), do Radiohead, ou até uma forte influência do pós-rock que bandas nordestinas como Kalouv e Mahmed vinham fazendo. O grupo é formado por Felipe Castro (voz e guitarra), Antônio Novaes (guitarra e sintetizadores), Vito Sormany (bateria) e Danillo Sousa (baixo), que continuam a trilhar um caminho - mesmo que recente - no também ótimo Pág. 72 (2019).


Alceu ao Nosso Jeito - Hanagorik (2012)

Alceu ao Nosso Jeito, lançado pela banda surubinense Hanagorik em 2012, traz dez releituras de clássicos e lados B da discografia de Alceu Valença. As músicas escolhidas pela banda são, majoritariamente, da fase psicodélica do artista, como Sol e Chuva, Agalopado, entre outras. Considerar o Alceu setentista como um artista de rock é um parecer comum quando se analisa sua carreira, mas a roupagem que a Hanagorik dá às canções (um rock meio anos noventa) faz com que haja uma mistura de tempos e espaços distintos. O disco tem a produção (e participação) de Zé da Flauta, que fazia parte da banda de Alceu Valença nos anos psicodélicos.


Sai da Frente - Bione (2019) Ousada, descabida e muito dentro do seu tempo, Sai da Frente, mixtape lançada em 2019 pela rapper Bione, traz um mix de autoafirmação que envolve negritude, nordestinidade e jovialidade como aspectos a se orgulhar, desconfigurando ideias pré-estabelecidas de subjetividades na cena e na sociedade. As temáticas são mescladas ao rap, ao trap e ao funk dentro de um processo de produção inteiramente independente, agenciado pela Aqualtune Produções; produção musical de Rodrigues 997 e concepção visual de Traço Vasto.


A obra, formada por música homônima, Deixa as Garota Brincar, Única e Antes dos 20, foi lançada em primeira mão no Coquetel Molotov do ano passado e marcou o primeiro passo ao voo solo musical da pernambucana, que faz de casa seu local mais seguro, sendo sua "mainha", como ela mesma destaca em Sai da Frente, sua fonte primária de inspiração.



O Grande Encontro 20 Anos - Elba, Alceu e Geraldo

É sobre o passo macio de sucessos, recordações e ineditismos que o Nordeste se rende ao que há de mais tradicional no cantar de Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, em O Grande Encontro 20 Anos. Assim como o tempo se evadiu na primeira gravação, em 1996, deixando saudade ao som eternizado de clássicos como Coração Bobo, Jacarepaguá Blues e Admirável Gado Novo, a ele mesmo coube o papel de se recompor aos trilhos vinte anos depois, dessa vez sob a ausência do paraibano Zé Ramalho.


Na primeira versão do disco, apenas violão acompanhava as composições. Em O Grande Encontro 20 Anos, figurino e textura mais arrojada denunciam a mudança de tempo e a percepção do novo pelos artistas. No disco, além de violão, o trio é acompanhado por uma banda completa, com instrumentais e elétricos formando o arcabouço percussivo de um repertório mais amplo, ao mesmo tempo que saudosista.


Estamos Vivos - Isabela Moraes (2020)

Com vigor e sensibilidade, a cantora pernambucana Isabela Moraes se apresente explosiva no terceiro álbum de sua carreira. Lançado neste ano, “Estamos Vivos” conta com 11 faixas autorais que passeiam por diversos ritmos como o rock, pop e forró.


A voz forte e marcante da cantora acompanhada por letras intimas e sensíveis são capazes de emocionar e envolver, como evidencia a faixa “Tempo de Esperas”. O disco, produzido por Juliano Holanda, traz parcerias com os artistas Marcelo Jeneci, Mariana Aydar e Almério, conterrâneo da cantora.


O fato de ter sido lançado em maio de 2020, durante a pandemia do novo coronavírus e em meio ao isolamento social, impediu a possibilidade dos shows de estreia do disco, mas pela obra podemos esperar apresentações emocionantes.


O Conto de Voinha - Banda do Carmo (2019)

Um trabalho inteiro baseado em conversas de fim de tarde com nossas avós, toda a doçura de uma mãe com açúcar”, é assim que a Banda do Carmo descreve o álbum Conto de Voinha em seu canal no YouTube.


Lançado em 2019, o disco conta com 10 faixas autorais compostas por Rubem do Carmo em parceria com Will Dantas, Victor Santanna, Giulia Freitas e Lucas Leite. A obra é uma grande homenagem ao agreste e a cultura pernambucana, em especial a cidade do forró: Caruaru. Um álbum cheio de xaxado, embolada, pé de serra, e outros ritmos do agreste nordestino para os amantes da cultura pernambucana!



Fuzzled Mind - Diablo Angel (2016)

Do coração do Agreste do estado, a Diablo Angel surge em 2014 como um power-trio de desert rock e indie rock pernambucano. Formado por Kira Aderne com o guitarrista Tárcio Luna e o baterista Walman Filho, o grupo trouxe no seu disco de estreia uma boa qualidade na amplitude sonora (dentro do rock), que ia de uma pegada mais clássica até o shoegaze.


Fuzzled Mind é cantado inteiramente em inglês, o que faz sentido dentro da construção poética bem clássica do grupo. Inclusive, foi muito bem recebido em 2016, colocando a banda como presença em festivais como Abril Pro Rock e no Coquetel Molotov.


Triinca - Triinca (2017)

Formada por Joanna D'arc Cintra (vocais), Alcides Vespasiano (guitarra) e Rogério Lins (sintetizadores, saixo e percussões eletrônicas), a banda recifense Triinca surge do desejo por um som dançante. Essa ideia de "trincar" é também uma brincadeira com a tríade de membros do grupo.


Misturando, através de um tropicalismo, sonoridades que vão desde synthpop oitentista até Reginaldo Rossi. Em seu disco homônimo de estreia, o gripo trouxe letras que dialogavam e faziam greas de aspectos dos relacionamentos modernos, como nas músicas Love me Tinder e Tua ex me traumatizou.






Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 (28/12) - Parte 4 (31/12)

Participaram da votação: AD Luna (InterD); Erika Muniz (Revista Continente); Emannuel Bento (Diário de Pernambuco); Wilfred Gadêlha (PEsado); Zeca Viana (Recife LoFi); Bruno Vinícius (Folha de Pernambuco); Lenne Ferreira (Alma Preta e Aqualtune produções); Veículos: Café Colombo; Life's Too Short; Alcalinas Brisadas; Que Braba!; Gruvi: André Santa Rosa, Giovanna Carneiro, Heloise Barreiro, Júlia Rodrigues e Vinícius Lucena.





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